quinta-feira, 24 de maio de 2018

O desafio da Filosofia

A teoria da filosofia é adequada e está disponível a todos os que tem inteligência para captá-la, fé para aceitá-la e intuição para reconhecer sua suprema preeminência. A prática da filosofia mais restrita, destina-se àqueles que tenham sido suficientemente preparados por um crescimento interior prévio e pela experiência exterior, a ponto de estarem dispostos a impor a si mesmos os parâmetros éticos superiores, o treino mental e a disciplina emocional da filosofia. Vir despreparado para o esforço individual exigido, inapto para os pesados exercícios intelectuais e meditativos necessários, sem estar pronto para o instrutor ou o ensinamento, é encontrar perplexidade e sair desapontado. Uma tentativa prematura de ingressar na escola da filosofia levará o indivíduo a encontrar dentro de si mesmo a dolorosa revelação dos desalentadores defeitos que têm de ser remediados antes que a tentativa possa tornar-se bem-sucedida.


Paul Brunton
Ideias em Perspectiva

quarta-feira, 23 de maio de 2018

O Um...

O Um por trás dos Muitos não deve ser confundido com o número um que é seguido do dois, do três, e assim por diante. Pelo contrário, ele é o misterioso Zero a partir do qual surgem todas as unidades que formam os numerais múltiplos. 

Se não o chamamos de Zero é somente porque poderia ser confundido com o niilismo total. Se assim fosse, a existência então seria sem sentido e a metafísica seria absurda. O Zero inefável e verdadeiro, assim como o Um suprafísico, é, antes, a realidade de todas as realidades. 

Dele brotam todas as coisas e todas as criaturas; a ele todas irão voltar afinal. Esse vazio é o fundo de cena impenetrável de tudo o que é, foi ou será; único, misterioso e imperecível. Aquele que pode contemplar o interior do misterioso Nada desse vazio e ver que o puro Ser Divino está lá para sempre, esse realmente vê.


Paul Brunton
Ideias em Perspectivas

terça-feira, 22 de maio de 2018

A caça do ego!

Tudo o que fazemos ou dizemos, tudo o que sentimos ou pensamos, no fundo está relacionado com o ego. Vivemos acorrentados ao seu pilar e movemo-nos num círculo. A busca espiritual é realmente uma tentativa de sairmos desse círculo. De outro ponto de vista, é um longo processo de descoberta do que está profundamente escondido pelo nosso ego, com seus desejos, emoções, paixões, argumentos e atividades. Tomando ainda um outro ponto de vista, é um processo que nos dissocia dessas coisas. Mas é improvável que se possa persuadir o ego a, de boa vontade, deixar de exercer o seu domínio. Seus caminhos ilusórios e seus hábitos enganadores podem levar um aspirante à crença de que esteja alcançando um estágio elevado, quando está simplesmente andando num círculo. A forma de sair desse círculo é, ou procurar a fonte do ego, ou, caso isso seja difícil demais, associar-se bem de perto a um verdadeiro mestre e prestar-lhe completa obediência. O ego, sendo finito, não pode produzir um resultado infinito através de seus próprios esforços. Ele engendra seus pensamentos e emite seus desejos, dia após dia. Ambos podem ser comparados com teias de aranha que são renovadas ou ampliadas e que nunca desaparecem por muito tempo dos cantos escuros de um aposento, não importa com que frequência possam ser eliminadas. Enquanto se permitir que a aranha viva ali, elas reaparecerão. Ir ao encalço do ego em seu covil é exatamente como caçar a aranha e removê-la completamente do aposento. Não há meio mais eficiente ou mais rápido de atingir o objetivo do que trazer à luz sua verdadeira fonte, oferecer o ego a essa Fonte, e finalmente, através da senda de afirmações e recolhimento unir-se a ela.


Paul Brunton
O Que É O Karma?


segunda-feira, 21 de maio de 2018

Buda ensinou...


Buda não se dedicou a problemas mais profundos antes de haver entrado na ética prática. Ele ensinou as pessoas a serem boas e a fazerem o bem antes de ensiná-las a se aventurarem dentro da pantanosa lógica do labirinto metafísico. E mesmo depois de terem elas emergido com segurança de um terreno onde tantos se perdem totalmente, ele as trouxe de volta para os valores éticos, embora de tipo bem mais elevado, porque baseado numa total ausência de egoísmo. Pois o amor deve casar-se com o conhecimento, a piedade deve derramar seus cálidos raios sobre o frio intelecto. A iluminação de outros deverá ser o preço de sua própria iluminação. Essas coisas não são facilmente sentidas pelo místico, que frequentemente está por demais absorvido em seus próprios êxtases para perceber as mi¬sérias dos outros, nem pelo metafísico, que frequentemente está tão preso pela sua própria verbosidade à sua lógica dura e rigorosa para compreender que a humanidade não é meramente um substantivo abstrato, mas é composta de indivíduos de carne e osso.


Paul Brunton
O Que É O Karma?

domingo, 20 de maio de 2018

O Eu Superior não transgride as Leis!

O Eu Superior não transgride em nenhum momento a lei das consequências. Se por seus próprios esforços você vier a modificar os efeitos dessa lei em uma determinada situação, ou se o mesmo acontecer pela manifestação da Graça, tudo ainda ocorre de acordo com aquela lei — pois não se deve esquecer que a porção de karma selecionada para uma determinada encarnação não esgota toda a reserva existente no arquivo de uma pessoa. Existe sempre muito mais do que a porção relativa a uma única vida na Terra. O que acontece é que uma parte do bom karma se manifesta ao mesmo tempo que o mau karma, e a natureza desse bom karma e a ocasião em que ele ocorre fazem com que ele neutralize completamente o mau karma, se o resultado a ser alcançado for sua anulação, ou o neutralize parcialmente, se o objetivo final for sua modificação. Assim, a mesma lei continua a agir, mas há ma mudança no resultado da sua ação.


Paul Brunton
O Que É O Karma?