quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O Eterno Eu Superior!


O Eu Superior não deve ser alcançado apenas em transe; ele deve ser conhecido em plena consciência de vigília. O transe é apenas a fase mais profunda da meditação, que por sua vez é um instrumento para ajudar a preparar a mente a descobrir a verdade. 


A yoga não provê a verdade diretamente. O transe não faz mais do que concentrar a mente perfeitamente e torná-la completamente calma. A realização poderá vir depois que a mente estiver nesse estado e depois que ela tiver começado a investigar, com tal instrumento melhorado, sobre verdade.


Deve ser lembrado que o vislumbre não é o objetivo da vida. Ele é um acontecimento, algo que começa e termina, mas algo que é de imenso valor, contribuindo para a vida filosófica, para a sua consciência do dia-a-dia, para a sua natureza comum e estável. A vida filosófica está estabelecida de forma contínua e permanente na presença divina; o vislumbre vem e vai dentro dessa presença.


O vislumbre é excepcional e emocionante; mas sahaja, o estado estabelecido, é comum, normal, de todos os dias. O vislumbre tende a nos retirar da atividade, mesmo que apenas por alguns momentos, enquanto que em sahaja não temos que parar a nossa atividade externa.


Paul Brunton
O Caminho Breve

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Sahaja Samadhi

Quando você desperta para a verdade como ela realmente é, você não terá nenhuma visão oculta, você não terá nenhuma experiência "astral", nenhum êxtase arrebatador. Você despertará para ela em um estado de silêncio absoluto e você perceberá que a verdade sempre esteve lá dentro de você e que a realidade esteve sempre ali em torno de você. 

A verdade não é algo que cresceu e se desenvolveu através de seus esforços. Não é algo que tenha sido alcançado ou atingido pela laboriosa soma desses esforços. Não é algo que tenha de ser feito mais e mais perfeitamente a cada ano. E uma vez que os seus olhos mentais são abertos para a verdade, eles nunca poderão ser fechados novamente.


O Sahaja Samadhi não é dividido em intervalos, é permanente, e não envolve nenhum esforço especial. Seu surgimento é instantâneo e sem etapas progressivas. Ele pode acompanhar a atividade diária, sem nela interferir. É uma calma estável e uma total quietude interior.


Não há marcas distintivas que um observador externo possa usar para identificar um homem na consciência de sahaja, porque sahaja representa a própria consciência em vez de seus estados transitórios.


Sahaja tem sido chamado de relâmpago. A filosofia considera ser ele a meta mais desejável.


Paul Brunton
O Caminho Breve


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Sua relação com o Eu Superior

A sua relação com o Eu Superior é uma relação de imediata conscientização de sua presença – não como um ser separado, mas como sua própria essência.


É viver a realização enquanto se comporta de maneira humana perfeitamente natural e é neste último sentido que um antigo texto Oriental descreve o sábio como não tendo em sua pessoa sinais distintivos.


A descoberta do seu verdadeiro ser não é exteriormente dramática e por um longo tempo, poderá ser que ninguém saiba disso, exceto ele mesmo. O mundo pode não honrá-lo por isso: ele poderá morrer tão obscuro como viveu. Mas o propósito de sua vida foi cumprido e a vontade de Deus realizada.


Assim como um homem que escapou de dentro de uma casa em chamas e ao encontrar-se no frio ao ar livre entende que atingiu a segurança, do mesmo modo o homem que escapou da ganância, luxúria, ira, ilusão, egoísmo e ignorância, entrando em uma exaltada paz e em um insight instantâneo, entende que ele atingiu o céu.


A dor e o sofrimento, o pecado e o mal, a doença e a morte, existem apenas no mundo dos pensamentos, não no mundo do Pensamento puro em si. Eles não são ilusões, entretanto, eles são transientes. Quem atinge o Pensamento puro irá também realizar na consciência uma vida sem dor, sem tristeza, sem pecado, imperecível e eterna. Estando acima dos desejos e dos medos, está necessariamente acima das misérias causadas por desejos insatisfeitos e medos consumados.

Paul Brunton
O Caminho Breve


segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Realização filosófica ou final

Sem manter firmemente em perspectiva essa natureza-mental original das coisas e, portanto, sua unidade original com o eu e a Mente, o místico deve, naturalmente, ficar confuso se não iludido por aquilo que ele considera ser a oposição do Espírito com a Matéria. 

O místico olha para dentro, para o eu; o materialista olha para fora, para o mundo. E a uma falta aquilo que o outro encontra. Mas, para o filósofo nenhum deles é fundamental. Ele olha para a Mente da qual tanto o eu como o mundo são apenas manifestações e na qual ele, também, encontra as manifestações. Não é suficiente para ele receber, como o místico recebe, iluminações intermitentes e ocasionais derivadas da meditação periódica. 

Ele relaciona essa compreensão intelectual com a sua descoberta posterior, adquirida durante a autoabsorção mística no Vazio, de que a realidade do seu próprio eu é a Mente. De volta ao mundo mais uma vez ele estuda-o novamente sob essa nova luz, confirma que a multiplicidade do mundo consiste, no final, de imagens mentais, unificando isto com a sua compreensão metafísica integral de que o mundo é simplesmente Mente em manifestação e, portanto, passa a compreender que ele é essencialmente um com a mesma Mente a qual ele experimenta em autoabsorção. 

Assim sendo, seu insight se efetiva e ele vivencia essa Mente-em-si-mesma e não como separada do mundo dos sentidos enquanto que o místico as separa. Com o insight, o sentido de unidade não destrói o sentido de diferença, mas ambos permanecem estranhamente presentes, enquanto que com a percepção mística comum um cancela o outro. 

As inumeráveis formas que compõem a imagem deste mundo não desaparecerão, sendo elas uma característica essencial da realidade, nem mesmo irá a sua consciência delas ou a sua interação com elas ser afetado. Consequentemente, ele possui uma firme e final realização na qual ele irá possuir permanentemente o insight da pura Mente, mesmo em meio às sensações físicas. Ele vê tudo nesse mundo de multiplicidades como sendo a Mente em si mesma, tão facilmente quanto ele pode ver o nada, o Vazio sem imagens, como sendo a própria Mente, sempre que ele se interessa em colocar-se à parte em autoabsorção. 

Ele vê tanto as faces externas de todos os homens quanto as profundezas interiores de seu próprio eu, como sendo a própria Mente. Assim, ele experimenta a unidade de toda a existência; não de forma intermitente, mas a todo momento ele conhece a Mente como realidade última. Esta é a realização filosófica ou final. Ela é tão permanente quanto a do místico é transitória. 

Em tudo o que ele faz ou se abstém de fazer, o que quer que ele experimente ou não experimente, ele desiste de todas as discriminações entre realidade e aparência, entre verdade e ilusão, e deixa seu insight funcionar livremente à medida que os seus pensamentos não selecionam e não se apegam à nada. Ele experimenta o milagre de ser indiferenciado, a maravilha da unidade indiferenciada. 

As fronteiras artificiais criadas pelo homem se derretem. Ele vê os seus semelhantes como inevitável e inerentemente divinos como eles são, não apenas como as criaturas mundanas que eles acreditam ser, de modo que quaisquer vestígios de uma atitude ascética mais-sagrada-que-tu desaparece completamente dele.


Paul Brunton
O Caminho Breve


domingo, 14 de janeiro de 2018

Nossa individualidade superior

Com a retificação desse erro podemos encontrar a resposta correta para a pergunta: “ Qual é o significado prático da injunção colocada por todos os grandes mestres espirituais aos seus seguidores, de desistir do ego, de renunciar a si mesmo? ”

Isso não requer um sentimentalismo tolo, no sentido de que devemos ser como massa de vidraceiro nas mãos de todos os outros homens. 

Isso não requer algo absolutamente impossível, no sentido de que nunca possamos atender aos nossos próprios assuntos, de forma alguma. 

Isso não requer o absurdo inútil, no sentido de estarmos tornando-nos alheios a nossa própria existência. 

Pelo contrário, ele requer o que é sábio, prático e que vale a pena – que abdiquemos de nossa personalidade inferior em troca de nossa individualidade superior.

Paul Brunton
O Caminho Breve