sábado, 29 de abril de 2017





"Pode-se dizer que todos os humanos estão viajando nessa busca do Eu Superior, mas que a maioria o faz inconscientemente e contra a vontade? Pois então a pessoa que é tecnicamente denominada "aquela que busca" difere das outras simplesmente por sua consciência da viagem, das exigências que lhe são feitas e por sua disposição de cooperar na satisfação dessas exigências."

Paul Brunton
A Busca

sexta-feira, 28 de abril de 2017


"Até mesmo nos mistérios do Egito antigo, o discípulo que frequentava a escola do templo, depois de ter passado no teste inicial que lhe possibilitava a admissão, tinha que aprender essa mesma lição de autoconfiança. O francês Edouard Schure, que escreve sobre esse assunto, diz: "Ele era deixado muito sozinho, para que pudesse vir a ser em vez de meramente saber, e, assim, ficava surpreso, muitas vezes, com a frieza e indiferença do instrutor. Para suas perguntas ansiosas, vinha a resposta: 'Espere e trabalhe.' Dúvidas e suspeitas assustadoras em relação a seus instrutores assaltavam-no às vezes, mas acabavam passando."


Paul Brunton
A Busca

quinta-feira, 27 de abril de 2017




"Se a descoberta da Verdade é a descoberta da resposta para "Quem Sou Eu?", então que mestre pode
ser melhor que o próprio "Eu" — o Conhecedor desconhecido em vez do ego, familiar e conhecido? Mesmo assim, poucos entre os que buscam acreditam nisso: quase todos se arriscam a depender de outro homem. E o que pode esse Mestre fazer, no final, além de ensinar seu discípulo a ver seu próprio rosto divino?"


Paul Brunton
A Busca

quarta-feira, 26 de abril de 2017

"O apelo humilde que a alma que busca dirige a Deus (ou ao próprio Eu Superior do indivíduo) conseguirá, no tempo certo, ajuda direta, sem a intermediação de qualquer ser humano. Se alguém acreditar que conseguiu a realização somente pela bênção do mestre, então certamente um dia passará por uma desilusão. O verdadeiro dever de um mestre é indicar o caminho correto a cada estágio da vida do aspirante, manter sua fé até que ele conheça a verdade por si mesmo e não por meio das palavras de outra pessoa, inspirá-lo pelo próprio exemplo e estímulo a nunca desertar da busca, demonstrar que os benefícios dela valem a pena, conceder sua graça no sentido de ter um interesse pessoal pelo progresso dele, e mantê-lo, telepaticamente, em sua própria consciência."

Paul Brunton
A Busca
Apoiar-se num guia ou ser carregado por ele é um modo de agir que por si mesmo nunca leva à meta. Pode, no máximo, levar ao modo de agir superior daquele que de joelhos se esforça muitas e muitas vezes, até ser forte o bastante para finalmente caminhar até a meta. 

O mestre não deve ficar no caminho, não deve chamar a atenção para si sem motivo, prejudicando a atração que o indivíduo que busca tem pelo próprio eu central interior.

Soren Kierkegaard escreve em Concluding Unscientific Postscript: "É impensável uma relação direta — que diga respeito à verdade essencial — entre dois seres espirituais. Supondo-se que haja uma relação dessas, isso significa que uma das partes deixou de ser espírito. Isso é algo que muito gênio deixa de considerar, seja quando ajuda as pessoas a chegarem à verdade em massa, seja quando é benevolente o bastante para pensar que aclamação, disposição para ouvir, filiações e coisas assim são iguais à aceitação da verdade. Tão importante quanto a verdade, e até mais importante, se é para se enfatizar uma das duas, é a maneira pela qual a verdade é aceita. De pouco serviria alguém persuadir milhões de homens a aceitarem a verdade se fossem levados ao erro precisamente pela maneira de aceitá-la. Por isso, toda a benevolência, persuasão, barganhas, toda a atração direta exercida por intermédio de sua própria pessoa, toda a referência ao seu próprio sofrimento pela causa, o seu lamento pela humanidade, o seu entusiasmo — tudo isso é mero equívoco, uma nota falsa em relação à verdade, pela qual, em proporção à própria habilidade, pode-se ajudar uma multidão de seres humanos a obterem uma ilusão de verdade. Sócrates era um instrutor ético, mas ele compreendeu a não-existência de qualquer relação direta entre instrutor e discípulo, porque a verdade é interior e porque essa interioridade em cada um é precisamente o caminho que os leva para longe dos outros. Foi, supostamente, por ter compreendido isso, que gostava tanto de sua aparência exterior desfavorável. "


Paul Brunton
A Busca


"Quando começa a receber instrução de seu instrutor, o discípulo também começa um período de provação em seu caminho interior e de separação de suas fraquezas internas. A provação gradualmente o habilitará a revelar os diferentes aspectos de sua personalidade e indicará sua real receptividade à influência do instrutor. Durante esse processo, surgem as qualidades que estão latentes sob a superfície; as situações se organizam por si mesmas de tal forma que o forçam a expressá-las. Em resumo, o que está escondido se revela. Assim ser-lhe-á dada a oportunidade de examinar seus alicerces morais antes de avançar para o treinamento místico intensivo que colocará em suas mãos o poder e o conhecimento ocultos. Sem esses alicerces, aquele que tomar posse desses poderes poderá logo cair em tentações invencíveis, com resultados desastrosos para si próprio e para outras pessoas. O conflito interno que vier da provação o forçará a enfrentar a si mesmo, a reconhecer as fraquezas presentes em seu interior e a tentar vencê-las. Se não houver outra maneira de levá-lo a isso, então ele terá que sofrer as consequências dessas fraquezas, assim como as de tê-las guardado consigo. Naturalmente, esse fase do caminho do discípulo estará cheia de tensões e o levará a muitas dúvidas sobre si mesmo. O período de provação é um tempo de testes severos e fortes tentações. Entretanto, o princípio da provação é um princípio sadio. Escapando ao vórtice de seus testes, tensões e comoções, ele tem a oportunidade de emergir como um homem mais forte e mais sábio."


Paul Brunton
A Busca

O verdadeiro mestre

"O verdadeiro mestre não pede aos discípulos que morem em algum ashram, mas que se unam a ele. E ele é, em seu próprio julgamento, um ser mental e não um ser físico. Portanto, podem encontrá-lo em pensamento em qualquer lugar. A necessidade de viver num ashram com ele é ilusória. É preciso apenas um único encontro entre ele e o discípulo. Fisicamente, esse encontro pode atingir seu propósito em poucos minutos. Daí para diante, eles podem permanecer fisicamente afastados, e mesmo assim, o trabalho interior continua a se desenvolver. Porque a relação entre eles é basicamente mental, e não física. 
Até mesmo na vida comum observamos que o verdadeiro amor, ou a verdadeira amizade, é uma afinidade mental e não uma mera proximidade física dos corpos. A intensa fé do discípulo e a veneração emocional pelo mestre — por mais distantes que possam estar um do outro — mais a necessária maturidade mística criarão telepaticamente uma verdadeira associação. Mas sem elas. sua graça é como uma fagulha caindo na pedra, não numa mecha. 
Além disso, pelos poderes superiores de sua mente, o adepto pode realmente ajudar os devotos a distância, mesmo que nunca frequentem seu ashram. Os que vivem num ashram podem obter dele apenas aquilo que conseguem absorver em seu ser interior. Mas, os que não vivem num ashram podem fazer exatamente a mesma coisa. Perceberão que sua presença-pensamento é tão eficaz quanto sua presença física."

Paul Brunton
A Busca



segunda-feira, 24 de abril de 2017

...SILÊNCIO...


Caminhei entre os bosques sombrios dos Filósofos.

E perguntei-lhes: "O que é a verdade?"
E alguns disseram: "É assim".
Mas outros declararam: "Não, é assim".
E mais uma vez: "É incompreensível para o homem enquanto ele ainda é mortal."

Eu ponderei sobre essas respostas, mas eu não estava satisfeito.
Portanto, foi que eu me afastei.

E fui a um que se sentou sobre o coto de um tronco de árvore.
E eu vi que ele era um homem velho que tinha sido expulso das fileiras dos Filósofos, porque ele não poderia evoluir em nenhum sistema.

E eu perguntei novamente: "O que é verdade?"
Ele não respondeu, mas fixou seu olhar em mim.
Nós nos sentamos silenciosamente juntos.
Seus olhos brilharam com um brilho estranho.
E naquela hora cheguei a conhecer o significado da verdade.
Pois sua resposta veio através do SILÊNCIO.


Paul Brunton
Living With Truth
Extraído do Livro Reflections on my Life and Writings, Notebook 8.