sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Sobre o Vazio

A concepção intelectual do Vazio parece sempre austera demais, no sentido humano. 

Ela se associa (sem razão, é verdade) com a do frio da morte e do silêncio dos cemitérios.

Esta reação provém do materialismo inerente aos sentidos, da incapacidade de olhar além do que se vê, se sente, se gosta, ou se toca. 
Pouca gente pode, no começo, olhar de frente esta concepção do Vazio, sem sentir arrepios. 
É, entretanto, necessário familiarizar-se com ela antes de poder passar ao grau de entendimento seguinte. Seria um erro interpretar o termo Vazio somente no sentido niilista ou negativo.

Embora pareça paradoxal, o Vazio tem um sentido positivo também. Se o Absoluto é de tal forma afastado de tudo o que conhecemos em existência, não podemos, entretanto, classificá-lo de NADA.

Ele existe positivamente, embora não tenha existência individual. Esta noção é inacessível para a inteligência, é só o será a uma alta faculdade de penetração. Porque é a natureza real de todos nós e se alguns tiveram conhecimento dela no passado, eles existiam certamente e o que eles sabiam não era inexistente, pelo que se conclui que devia possuir um gênero de ser. Segundo um texto tibetano de nosso ensino: os homens criaram o tempo a partir do Vazio, e pertenciam, eles próprios, ao Vazio. Os que compreendem isto podem mergulhar profundamente no elemento do Nirvana que transcende à relatividade.


Paul Brunton
A Sabedoria do Eu Superior


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