sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O Manto de um Instrutor...

No Ocidente moderno não é necessário seguir o costume oriental de viver com o Instrutor ou próximo a ele. Entretanto, é aconselhável tentar obter um encontro com ele, mesmo que somente por alguns minutos. Quando isso for impossível, uma alternativa é estabelecer uma correspondência escrita com ele — e manto* sua fotografia num local consagrado, onde se possa vê-la frequentemente e assim ser lembrado muitas vezes por dia da necessidade de trabalhar continuamente na melhora de si mesmo e do próprio caráter.

Se ainda está vivo, a ajuda pessoal de um mestre é certamente valiosa. Se não, seu espírito está distante demais do mundo físico para ser útil ao aspirante comum, a não ser de maneira genérica e impessoal. Sua influência é então transmitida pelos escritos que legou, pelas formas-pensamento que deixou na atmosfera mental durante a vida, e pelos poucos discípulos mais próximos dele, no sentido interior. Caso contrário, só um Yogi avançado, capaz de, pela meditação, elevar sua consciência ao mesmo plano em que se encontra a do mestre poderia entrar em contato com ele, É tão necessário para seus discípulos que ele os deixe privados de sua orientação e do consolo de sua presença quanto antes foi necessário que tivessem essas coisas, quando ele ainda estava na terra. Afinal, é seu próprio Eu Superior que estão buscando. Devem começar a procurá-lo exatamente onde está — no interior de si mesmos e não em outra pessoa. Chega então o momento, se é para continuarem a crescer, em que devem parar de depender da luz e força do mestre e começar a depender de sua própria luz e força. A hora dessa separação está indicada em seus destinos pela inteligência infinita, que tem razões suficientes para fazê-la ocorrer nem mais cedo nem mais tarde. Se eles devem, daí em diante, lutar para conseguir contato direto com o Infinito e não mais depender do estímulo de um intermediário, isso significa que estão no estágio de progredir mais dessa maneira, ainda que suas emoções pessoais argumentem em contrário.


Paul Brunton
A Busca


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