sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Estágios para a Filosofia

Primeiro estágio: É atingido pelos que estudam apenas metafísica ou praticam apenas o misticismo. E retirar-se dos sentidos e de seus objetos. É negativo. Leva à percepção de que o mundo externo é insatisfatório. É o grande afastamento dos objetos dos sentidos. É um estágio ascético; é acompanhado de pensamentos; é o reconhecimento de que a matéria não é fundamentalmente real. É caracterizado pela mudança moral. É a descoberta, por meio de um vislumbre da natureza espiritual do homem, que é um enlevado senso de união com o ser imaterial superior. Ele sente, ocasionalmente, que é divino.

Segundo estágio: Afirma a realidade fundamental, positiva e única. Produz a visão da luz mística do Logos; só pode ser atingido pelo misticismo. É a entrada no Vazio; é a descoberta do Espírito; é transe. É livre de pensamentos, deleita-se na solidão. Essa clara compreensão de Deus no coração marca o estágio do Observador, próprio da experiência ultra-mística. O homem sente-se totalmente desapegado de suas atividades, ou das atividades do mundo, tanto que é asceticamente tentado a retirar-se da vida. Se, no entanto, o destino obriga-o a continuar no mundo, ele, de maneira singular, se sentirá o tempo inteiro como o espectador de um filme; mas essa não pode ser a meta humana final.

Terceiro estágio: É no mundo, mas não do mundo. É o retorno ao mundo exterior dos sentidos e a descoberta de que ele também nasceu de Deus. Nunca perde de vista sua unidade com a vida, mas insiste em sua conexão com a ação. Em vez de transformar-se num refúgio para sonhadores, faladores e escapistas, transforma-se numa dinâmica inspiradora. É a realização do Todo em si mesmo e de mesmo no Todo. Com essa realização ele se lança, incessantemente, ao serviço humanidade.


Paul Brunton
A Busca




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