quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Busque a Busca dentro de si!

" Fiquei enfeitiçado, por muitos anos, pelo glamour espiritual da Índia. A necessidade de ir lá tornou-se muito forte e, no final, rendi-me a ela. Aprendi o que o turista predador nunca aprende; vi o que o observador profissional raramente vê; porque tanto ao turista quanto ao jornalista falta a aspiração, a paciência e o preparo exigidos para procurar e descobrir o que é realmente o melhor em qualquer país oriental.

Nesse país, descobri muita coisa de grande interesse e do maior valor, mas não encontrei a realização de minha Busca. Ela não veio a mim até que eu tivesse retornado ao outro hemisfério. Na verdade, a Visão Cósmica, que revelou a Presença da Inteligência Infinita através da vida, através do universo e através da história, que me explicou muitas das Leis Superiores, veio a mim, incongruentemente, quando eu estava sentado num quarto de hotel em Chicago. Com esse humilde insight, a necessidade de ir à índia desapareceu. E então percebi que isso era, realmente, um complexo antigo – uma espécie de autossugestão – herdado de meu distante passado reencarnatório. Descobri que, se tivesse permanecido fiel à direção interior que tinha originalmente percorrido, nunca teria precisado ir à Índia, nem aos outros países asiáticos onde procurei pela Verdade. Aquilo de que precisava podia muito bem ser encontrado dentro de mim mesmo. Mas, eu aceitara as sugestões do meu passado, assim como dos lábios e escritos de outra pessoas. E, assim, desviei-me do caminho interior. O atalho, que as viagens para a Ásia ofereciam, revelou-se um caminho longo, pois vaguei pelas estradas de outros homens e, no final, tive que voltar, como todos nós, à minha própria estrada. Não havia nenhum outro lugar para ir, e minha Busca terminou ali.

Os outros caminhos não foram inúteis, naturalmente, mas perderam o valor no momento em que se transformaram em substitutos para o caminho interior, que é singular e único porque cada um de nós é singular. Cada um tem sua experiência especial de vida, faz seus próprios contatos com outras pessoas, e defronta-se com seu destino particular. Ao reagir e lidar com tudo o indivíduo está, realmente, reagindo e lidando consigo mesmo. Ele mostra turbulência ou tenta dominá-la; ele se perde na atividade do dia ou salva-se dela em meia hora de retiro. Ele deixa que pensamentos ou sentimentos negativos permaneçam em seu coração, ou tenta retirá-los de lá. Ele procura suas relações ou ter uma atitude mais gentil em relação às pessoas que encontra no seu dia-a-dia, ou não consegue perceber a razão de elas — e não pessoas totalmente diferentes — terem sido colocadas em seu caminho pela Inteligência Infinita. Seu ambiente é, realmente, um local de teste e uma escola de disciplina.

E então retorno à afirmação de que ir à Índia, ou ir a qualquer outro lugar em busca de iluminação espiritual não é tão importante quanto ir ao interior de nós mesmos, descobrir Quem somos. Além disso, se alguns foram para a índia à procura de um Mestre encarnado, outros foram para a Palestina à procura de um mestre desencarnado. Lá, demoraram-se em lugares santos e monumentos sagrados, no chão histórico em que Jesus andou e falou. Mas, ambos os tipos de tentativa trazem algum fruto apenas quando levam à Busca Interior, ao Mestre que habita o interior, num caso, e ao Cristo que habita o interior, em outro. Mas o indivíduo poderia ter iniciado essa busca final de qualquer forma, sem sair de casa. Na verdade, Ramana Maharshi disse uma vez em voz alta: "Se soubesse que era tão fácil, nunca teria saído de casa." "


Paul Brunton
A Busca





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