sábado, 30 de abril de 2016

Retomar o caminho certo

A concentração do pensamento é como cavalgar uma mula teimosa que não se cansa de enveredar para onde bem entende; sempre que o montador percebe que a sua montada está desgarrando, é obrigado a fazê-la endireitar a cabeça e retomar o caminho certo.  

O nosso Eu Superior interno está sempre ao nosso alcance, mas os nossos pensamentos Itinerantes devem transformar-se no seu combustível; há tanto tempo agimos como filhos pródigos que a jornada da volta demandará um apreciável espaço de tempo. 

Por essa razão requer-se paciência nesses esforços. A ninguém é dado tornar-se um bom músico em
apenas três meses, contudo a maioria dentre nós espera conseguir o melhor da vida depois de uns poucos esforços, tornando-se pessimista quando não há uma resposta imediata.


Paul Brunton
A Busca do Eu Superior

Os Profetas

Poucas pessoas compreenderam que a obra de um profeta se realiza essencialmente dentro de um período limitado após o seu próprio aparecimento na terra e não perdura para sempre. 

Pois a sua tarefa fundamental é dupla: plantar alguma coisa no coração dos homens, uma dádiva da sua graça, que será transmitida através dos séculos em ondulações cada vez mais amplas; proferir ou escrever uma mensagem verbal que prudentemente provê às necessidades do momento, às formas de pensamento das pessoas e aos antecedentes históricos da época.    

A força assim difundida atinge o seu zênite e, em seguida, principia a enfraquecer e a refluir.    
Em seu zênite, triunfa o espírito, mas em seu nadir impera a letra.  No primeiro caso temos a verdadeira religião e os homens lhe sentem a inspiração, mas no segundo temos frequentemente  o seu arremedo e os homens lhe sentem o vazio. 

O profeta possui realmente o poder de conferir a graça, ao passo que, volvidos alguns séculos, muitos dos que falam em seu nome quase sempre carecem dele.   Esta é uma das razões por que a religião se evapora durante o longo correr dos séculos, de modo que as pessoas, em sua maior parte, só obtêm dela o seu último resíduo.

Paul Brunton
A Crise Espiritual do Homem



Filosofia

Um homem pode não chegar a compreender por que as coisas devem ser como são; talvez lhe seja preciso deixar o enigma não solucionado; mas isso não interfere, necessariamente, na sua atitude prática.  Desenvolvem-se os seus músculos morais todas as vezes em que ele resiste ao mal e o vence. 

A Filosofia não estimula o malfeitor a persistir em seu curso mal orientado. Pelo contrário, adverte-o de que o sofrimento o espera e de que não conhecerá a paz enquanto não se arrepender. O reconheci-mento da vontade divina por detrás das coisas não conduz, nem se deve permitir que conduza, quem quer que seja a uma atitude irresponsável para com a vida nem a uma conduta letárgica. 

Quando pensamentos destrutivos oprimem os sentimentos de um homem e lhe obcecam a mente a ponto de torná-lo nocivo aos seus semelhantes, corre à sociedade a obrigação de tomar medidas preventivas contra ele. A concepção pessimista que sufoca a iniciativa, aquiesce na imoralidade e induz homens atormentados a se contentarem com o seu fado, pode servir para confirmar-lhes os atormentadores em suas malfeitorias. Dessa maneira, fomentará o crime e aumentará o mal do mundo.

Paul Brunton
A Realidade Interna


O karma rejeita...

Os materialistas pintam um quadro terrível do universo, como se ele fosse uma imensa prisão na qual
nosso destino, nossos pensamentos e atos são totalmente determinados pelo ambiente físico que nos cerca. Entre os orientais, aqueles mais ignorantes vivem aprisionados em um mundo onde se movem indefesos de um lado para o outro — prisioneiros da predestinação divina.
O karma rejeita essas duas sombrias proposições e nos confere uma liberdade suficiente para moldar a nós mesmos e ao nosso ambiente. No decorrer de nosso desenvolvimento influímos negativamente em nosso ambiente ou o enriquecemos, ajudamos ou atrapalhamos a natureza, e o inverso também é verdadeiro.
O karma não diz que devemos ficar parados como pedintes maltrapilhos diante das portas do destino. Nosso livre-arbítrio passado é a origem de nosso destino atual, assim como nosso livre-arbítrio atual será a origem de nosso destino futuro. Por conseguinte, entre os dois, o fator mais poderoso é a nossa vontade. 
Não existe portanto espaço nem para o fatalismo nebuloso, nem para o excesso de confiança. Nenhum de nós pode escapar da responsabilidade pessoal com relação à formação da nossa perspectiva interior e do nosso ambiente externo, colocando a culpa em alguma coisa ou pessoa. Todos aqueles que enfrentam obstáculos deveriam beber uma taça do vinho da inspiração das mãos de Beethoven — o grande compositor. Ele, que buscava ouvir os mais sutis acordes da música, ficou totalmente surdo. Ele, que dedicou toda a sua vida a criar composições melódicas para os outros,
certo dia tornou-se incapaz de ouvir as próprias obras. Esse fato o desapontou mas não o desencorajou. Ele enfrentou o problema com bravura no coração e declarou: "Enfrentarei o destino; ele nunca me abaterá!" Ele prosseguiu seu trabalho, oferecendo ao mundo coisas maiores e mais grandiosas, pois o que aprendeu no sofrimento ele ensinou na música.


Paul Brunton
O Que É O Karma?