sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Sobre os processos kármicos

É por meio de processos kármicos que agem mutuamente que esse universo pôde manifestar-se. 
A Mente-do-Mundo não produz imagens gerais do mundo por um decreto arbitrário, e sim pela continuidade natural dessas imagens como resultado de todas as que existiram anteriormente. 

Elas são a continuação de todas as imagens do mundo de que se tem lembrança que apareceram anteriormente, porém modificadas e desenvolvidas por meio de sua própria mútua interação e evolução, e não pelo decreto caprichoso de um Deus humanizado. A Mente-do-Mundo cria o universo pensando nele de forma construtiva, mas não arbitrária. Os pensamentos surgem espontaneamente regidos por uma estreita lei kármica e evolutiva. 

Deve-se enfatizar que de acordo com essa perspectiva o universo constitui um sistema autopropulsor, embora seja preciso igualmente compreender que o sistema em si depende da Mente-do-Mundo para a continuidade de sua existência e ininterrupta atividade. Todas as forças kármicas e formas-pensamento levam avante suas mútuas atividades, entrelaçam-se, interagem e evoluem espontaneamente na presença da luz do Sol. Mas é a essa presença que elas devem seu sustento e sua existência.


Paul Brunton

(O Que É O Karma?)


Mente- do-Mundo

Uma única luz se reflete em um milhão de fotos, cada uma diferente das demais. Uma única Mente-
do-Mundo reflete-se em um milhão de pessoas, cada uma diferente de todas as outras. E assim como os objetos no universo passam a existir pelo poder do karma, o mesmo acontece com as pessoas.

A nova criatura emerge na existência universal da mesma maneira que uma nova coisa, ou seja, trazendo para o presente toda a antiga bagagem kármica que, por sua vez, é o resultado de uma existência ainda anterior. O indivíduo e o mundo surgem juntos no mesmo momento vindos de um passado que os acompanha. Seus karmas estão associados aos da existência universal e não aparecem de forma separada ou subsequente. Ambos entram em atividade sincronicamente. 

Quando a energia da Mente-do-Mundo se manifesta, ela adquire um caráter duplo e tanto o universo quanto as pessoas nascem ao mesmo tempo. O universo não se manifesta antes, nem os indivíduos, mas ambos conjuntamente. Colocando as coisas de outra maneira, quando as ondulações do karma se propagam pela Mente-do-Mundo, elas se deslocam ao mesmo tempo pelo universo e pelo indivíduo e atuam da mesma maneira.


Paul Brunton

(O Que É O Karma?)

Volvei-vos ao Eu-Espectador

"Quando chegais à realização de que é realmente a Natureza que se expressa através de vós, então renunciais internamente a vossas ações. Volvei-vos ao Eu-Espectador, deixando que a Natureza cuide dos resultados. Depois atingis a etapa final, quando podeis observar vosso eu representando seu papel na obra do mundo, sem antecipações nem expectativas. 

Não mais vos interessais pelo seu futuro e seus encargos. Isso compete à Natureza. Estabeleceis o exemplo e os outros vos imitarão e serão beneficiados. Seguindo este caminho com fé, podeis libertar-vos das ações e do destino. Libertar-vos-eis do ciclo dos nascimentos e mortes. Se dedicadamente satisfizerdes as primeiras etapas desta busca, tempo chegará em que o poder do espírito vos trará face a face diante do Eu-Espectador. 

Então vos libertareis do poder do destino acumulado. Mas assim que se obtenha um grau substancial de iluminação espiritual, não há necessidade de qualquer conflito entre esta iluminação e a maioria das atividades mundanas. Com efeito, algumas destas últimas podem parecer definitivamente não-espirituais, injustas ou materialistas aos olhos críticos dos demais, mas este é um assunto que não pode ser julgado pelas aparências. 

É concebível que um homem tome parte numa guerra, combata e mate, e contudo esteja animado por uma luz mais divina do que a generalidade dos seres humanos. O motivo será a única diferença entre ele e os demais soldados do mesmo exército. Ele combate impessoalmente, não sentindo o menor ódio nem má vontade para com o inimigo, compreendendo* que a vida não requer menos bom senso que boa vontade, e sabendo que ele está cumprindo um dever ordenado por seu destino e pela estrutura social de que ele faz parte, na defesa de seus país. Foi com essa atitude impessoal que Jesus expulsou os vendilhões do templo. Nenhum sentimento contra a fraternidade humana O levou a praticar esse ato."


Paul Brunton

(A Realidade Interna)