sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

A confissão ao Eu Superior

A confissão é uma boa prática quando se trata de um sincero e honesto reconhecimento de que certas ações do passado foram erradas, quer tenham sido meramente imprudentes, quer totalmente malévolas; de que elas nunca deveriam ter sido praticadas; e de que se você se vir novamente diante de situações semelhantes, se esforçará ao máximo para não cometê-las. 

O remorso, a penitência e o desejo de fazer correções são os sentimentos que devem acompanhar o reconhecimento intelectual para que ele tenha um valor efetivo no futuro. De acordo com o costume, a confissão pode ser feita de três maneiras. Existe a prática de certas religiões, que impõem a presença de um padre ordenado. Esse procedimento é útil principalmente para os adeptos dessas religiões que conseguem ter fé tanto nos dogmas quanto nos padres. No entanto, quer a confissão à outra pessoa seja feita em uma atmosfera religiosa, quer não, ela só possui valor se essa pessoa tiver efetivamente uma condição espiritual superior à do pecador e não se ela estiver meramente afirmando ou fingindo tê-la. Se essa garantia estiver presente, a confissão libera a tensão de pecados secretamente guardados.

Em segundo lugar, existe a prática de alguns cultos e seitas que impõem a presença de um grupo. Esse procedimento também só é proveitoso para os que acreditam nele, e mesmo assim de uma forma muito limitada. Ele oferece alívio emocional, mas degenera com muita facilidade em um exibicionismo egoísta. Esta prática é certamente bem menos desejável do que a primeira.

A confissão particular, feita no isolamento e dirigida ao Eu Superior, é a terceira maneira. Se o pecador experimenta a sensação de estar interiormente purificado e não mostra a seguir a tendência a repetir o pecado, ele poderá saber que sua confissão foi eficaz e que a Graça do Eu Superior chegou até ele em resposta ao ato. No entanto, é errado acreditar que o simples ato de confessar é tudo o que é necessário. Isso pode acontecer, mas o mais comum é que essa resposta só ocorra como o clímax de uma série de atos desse tipo. E também um erro acreditar que uma confissão possa ter algum valor se o ego do pecador não for profundamente humilhado e passar a sentir não apenas sua insensatez e indignidade, mas também sua dependência do poder superior para poder alcançar a sabedoria e o autodomínio.


Paul Brunton
O Que É O Karma?

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