sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Epílogo - O Egito Secreto



Após haver percorrido toda a extensão dessa milenar terra do Egito e presenciado diversas coisas curiosas, regressei aos meus bons amigos que permaneciam em eterna meditação, na orla do deserto da Líbia.

" Dize-me, ó sábia Esfinge! — exclamei — poderia eu descansar meus pés fatigados, que parecem haver caminhado bastante pelos poeirentos caminhos da vida? "

E a Esfinge respondeu:

" Pergunta àquela de quem sou filha única, àquela cujo ventre me deu à luz para sofrer pesares e mágoas do mundo, porque eu também sou um ser humano e aquela é minha mãe, a Terra. Pergunta a ela! "

Caminhei um pouco mais e cheguei à Grande Pirâmide. Penetrei na escura passagem e desci, e arrastando-me às profundezas das entranhas da terra, cheguei àquela mesma cova tétrica. E pronunciando a sagrada palavra de passe, saudei-a, segundo o ensinamento que aprendi no capítulo sessenta e quatro, versículo sétimo do livro mais antigo do Egito.

" Salve! Ó Senhor do Santuário Que permaneces no Seio da Terra!" 

Nisto me sentei no chão rochoso e mergulhei minha mente na sua original quietude, paciente, esperando a resposta.

Quando, afinal, apareceu o Ente Poderoso, Mestre da Divina Morada, roguei-Lhe que me guiasse até onde estava Ela, a "Mestra do Templo Oculto", "A Alma Vivente da Terra".

O Mestre cedeu à minha súplica fervorosa e me levou pela porta secreta que estava oculta no Templo. A Divina Mãe recebeu-me da maneira mais graciosa; entretanto, permaneceu sentada, distante, e intimou-me a fazer meu pedido.
Repeti-lhe a pergunta:

"Dize-me, ó Mestra do Templo Oculto! Podes dar descanso aos meus pés fatigados, que parecem ter andado muito pelos caminhos poeirentos da vida?"

Olhou-me longa e gravemente antes de me responder.

"Há sete caminhos abertos ante ti, ó Buscador! Sete degraus aguardam para serem galgados pelo homem que deseje entrar no meu reino secreto. Sete lições devem ser aprendidas pelos seres humanos que anseiem ver minha face desvelada.
Enquanto não tiveres percorrido todos estes caminhos, subido todos estes degraus e aprendido de cor todas estas lições, não poderás ter descanso para teus pés nem paz para tua alma."

Sua voz meiga, que parecia vir de miríades de éons, ressoou pela Grande Sala do Templo.

— Quais são esses caminhos, ó Mãe Divina?

Respondeu-me:

"Um é o Caminho que leva a Muitas Moradas, outro, a Via que conduz ao Deserto; terceiro, a Rua onde Brotam Flores Vermelhas; quarto, a Subida para as Altas Montanhas; quinto, a Descida nas Cavernas Obscuras; sexto, o Caminho do Eterno Errar, e o sétimo é a Via de Quietude Silenciosa."

Perguntei:

— Quais são esses sete degraus?

"O primeiro — disse Ela — é das Lágrimas; o segundo, a Oração; o terceiro, o de Trabalho; o quarto, o Repouso; o quinto, o da Morte; o sexto, da Vida, e o último é da Entrega."

— E as sete lições que deve aprender o homem,  ó Mãe! Quais são?

"O Prazer — respondeu — é a primeira e a mais fácil; a Dor é a segunda; o ódio a terceira; a Ilusão a quarta; a Verdade a quinta; o Amor a sexta, e a Paz aprende-se por último."

Ponderei a respeito do que ouvi.

A Mestra do Templo Oculto então se levantou e retirou-se da Grande Sala, e vi nas suas costas uma grande estrela de ouro, e dentro da estrela, uma coroa resplandecente e duas meias-luas de prata. Embaixo da coroa havia uma cruz branca, e ao redor da cruz, sete rosas vermelhas.
Na parede do fundo de um azul carregado vi aparecer, de súbito, muitas palavras brilhando como jóias. E foi-me ordenado ler só as últimas dessas palavras.
Eram estas:

... pois o Egito é a imagem das coisas dos céus e, em verdade, um templo do mundo inteiro.
E quando o Egito testemunhar estas coisas, então, o Senhor e Pai, Deus Supremo, Primeiro em Poder e Governador do Mundo, escrutará os corações e os atos dos homens e, por Sua vontade, poderá devolver-lhes sua antiga magnificência, a fim de que o mundo possa aparecer realmente como a obra adorável de Suas mãos."


Paul Brunton
O Egito Secreto


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