quinta-feira, 26 de maio de 2016

O Peregrino Instrutor galileu ensina:

" (...) Mas por que alertou Jesus a Seus discípulos que esperassem perseguições? Por que, numa outra ocasião, enviou Ele Seus doze apóstolos ao mundo com a forte advertência: "Eis que vos envio como ovelhas em meio de lobos: sede, pois, prudentes como serpentes e inofensivos como pombas"? O peregrino instrutor galileu quis evidentemente dizer que não bastava ser apenas bom, nem apenas inofensivo. Tendes também que ser astuto como a cobra, uma das mais astutas criaturas.

Por quê?

Porque todo este mundo, este vasto universo e o panorama da vida que se estende por sua superfície, é a interação de duas forças cósmicas, a involução e a evolução, a criação e a destruição, chamadas ora o bem ora o mal. Da nebulosa atmosfera do começo cósmico nasce a infindável procissão destes poderes gémeos. Eles estão sempre em atividade e assim estarão até o desaparecimento do universo. 

Deveis perceber como, por esta luta, esta constante interação e inevitável conflito, este desconcertante conflito de forças, a maravilhosa corrente de vida flui através do mais variegado cenário, de sorte a receber as mais ricas experiências. Assim o homem é feito, seu caráter é formado por suas lutas com o elemento adverso da Natureza, e a oposição é por fim transformada em oportunidade. Seus cambaleantes passos acabarão levando-o à meta divina. Destarte a história se converte em algo mais do que um mero fio de acontecimentos isolados, mais do que uma fortuita cadeia de ocorrências, e mais do que um lúgubre catálogo de impérios arruinados.

Agora estamos mais bem preparados para atinar por que Jesus advertiu a Seus apóstolos que esperassem por transtornos. O elemento adverso existe na Natureza tanto para destruir a obra prática das mentalidades divinamente construtivas como para opor-se ao uso da luz pelos seres divinamente guiados. Nenhum autêntico profeta, nenhum verdadeiro apóstolo da Divindade tem a ventura de lançar-se no mundo e percorrê-lo numa sagrada missão de ajuda e serviço espirituais, sem deparar com a hostilidade e antagonismo destas forças tenebrosas. Estas acham instrumentos humanos cegos e inconscientes por meio dos quais podem obstar as atividades altruístas de homens iluminados. Não raro tais inimigos desencaminhados são lançados ao exercício do criticismo, falsidade, calúnia, malícia, ódio, e finalmente, a atos de violências pessoais, como o prova a própria crucificação de Jesus. (...) "


Paul Brunton

A Realidade Interna




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