sábado, 30 de abril de 2016

Os Profetas

Poucas pessoas compreenderam que a obra de um profeta se realiza essencialmente dentro de um período limitado após o seu próprio aparecimento na terra e não perdura para sempre. 

Pois a sua tarefa fundamental é dupla: plantar alguma coisa no coração dos homens, uma dádiva da sua graça, que será transmitida através dos séculos em ondulações cada vez mais amplas; proferir ou escrever uma mensagem verbal que prudentemente provê às necessidades do momento, às formas de pensamento das pessoas e aos antecedentes históricos da época.    

A força assim difundida atinge o seu zênite e, em seguida, principia a enfraquecer e a refluir.    
Em seu zênite, triunfa o espírito, mas em seu nadir impera a letra.  No primeiro caso temos a verdadeira religião e os homens lhe sentem a inspiração, mas no segundo temos frequentemente  o seu arremedo e os homens lhe sentem o vazio. 

O profeta possui realmente o poder de conferir a graça, ao passo que, volvidos alguns séculos, muitos dos que falam em seu nome quase sempre carecem dele.   Esta é uma das razões por que a religião se evapora durante o longo correr dos séculos, de modo que as pessoas, em sua maior parte, só obtêm dela o seu último resíduo.

Paul Brunton
A Crise Espiritual do Homem



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