sábado, 30 de abril de 2016

O karma rejeita...

Os materialistas pintam um quadro terrível do universo, como se ele fosse uma imensa prisão na qual
nosso destino, nossos pensamentos e atos são totalmente determinados pelo ambiente físico que nos cerca. Entre os orientais, aqueles mais ignorantes vivem aprisionados em um mundo onde se movem indefesos de um lado para o outro — prisioneiros da predestinação divina.
O karma rejeita essas duas sombrias proposições e nos confere uma liberdade suficiente para moldar a nós mesmos e ao nosso ambiente. No decorrer de nosso desenvolvimento influímos negativamente em nosso ambiente ou o enriquecemos, ajudamos ou atrapalhamos a natureza, e o inverso também é verdadeiro.
O karma não diz que devemos ficar parados como pedintes maltrapilhos diante das portas do destino. Nosso livre-arbítrio passado é a origem de nosso destino atual, assim como nosso livre-arbítrio atual será a origem de nosso destino futuro. Por conseguinte, entre os dois, o fator mais poderoso é a nossa vontade. 
Não existe portanto espaço nem para o fatalismo nebuloso, nem para o excesso de confiança. Nenhum de nós pode escapar da responsabilidade pessoal com relação à formação da nossa perspectiva interior e do nosso ambiente externo, colocando a culpa em alguma coisa ou pessoa. Todos aqueles que enfrentam obstáculos deveriam beber uma taça do vinho da inspiração das mãos de Beethoven — o grande compositor. Ele, que buscava ouvir os mais sutis acordes da música, ficou totalmente surdo. Ele, que dedicou toda a sua vida a criar composições melódicas para os outros,
certo dia tornou-se incapaz de ouvir as próprias obras. Esse fato o desapontou mas não o desencorajou. Ele enfrentou o problema com bravura no coração e declarou: "Enfrentarei o destino; ele nunca me abaterá!" Ele prosseguiu seu trabalho, oferecendo ao mundo coisas maiores e mais grandiosas, pois o que aprendeu no sofrimento ele ensinou na música.


Paul Brunton
O Que É O Karma?



Nenhum comentário:

Postar um comentário