segunda-feira, 21 de março de 2016

Necessidade de oração

A oração não deve ser menosprezada por ninguém. Nós diminuímos o poder do Eu Superior quando
não aceitamos essa afirmação. Enquanto formos imperfeitos, sentiremos necessidade de oração. Enquanto algo nos faltar, teremos de orar. Apenas o sábio realizado e não mais dominado por desejos pode deixar de orar, embora ele possa fazê-lo pelos outros com sua maneira misteriosa e pouco convencional.


Também não podemos dizer que é sempre errado orar por coisas físicas: às vezes isso pode ser correto. Mas a prece que é apenas uma súplica dirigida a um Ser sobrenatural para que este remova os tormentos que o próprio indivíduo provocou, não pode trazer outro resultado a não ser o conforto psicológico que a oração oferece. Ela certamente não trará nenhuma alteração à retribuição kármica que o indivíduo está sofrendo. Será apenas um ruído no ar e de nada adiantará reclamar da sorte. 


Porém, a oração seguida do esforço contrito de modificar o defeito de caráter que deu origem às aflições e que é o complemento de uma tentativa real de reparar um erro cometido contra alguém pode não ser inútil. O arrependimento e a reparação são os fatores mais importantes para que uma prece seja atendida. Eles serão uma força capaz de afetar o karma pessoal porque introduzem um karma novo e favorável...


E preciso ter em mente que o Deus a quem oramos habita em nosso coração. Quando nossa prece produz uma sensação posterior de alívio ou de paz, trata-se provavelmente de um sinal de que oramos da maneira correta, mas quando nosso sofrimento ou perplexidade pesa sobre nós com a mesma intensidade que antes, trata-se provavelmente de um indício de que devemos orar mais e mais ou de que oramos de forma incorreta. 


Na medida em que a oração eleva nossos pensamentos acima das nossas fúteis preocupações pessoais, é certo que ela será útil para o nosso progresso. Na medida em que ela for apenas um apelo estritamente materialista ou totalmente hipócrita dirigido a uma divindade antropomórfica para que ela derrame sobre nós determinados benefícios materiais, é certo que ela será inútil tanto para o desenvolvimento espiritual quanto para o progresso material. 


A melhor maneira de contrapor-se ao princípio do karma, quando ele estiver exigindo um doloroso tributo, não é orar, mas sim modificar nossos pensamentos. Quanto mais alterarmos para melhor a tendência geral deles, melhor se tornará nossa vida exterior.


Paul Brunton
(O Que É o Karma?)



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