sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Volvei-vos ao Eu-Espectador

"Quando chegais à realização de que é realmente a Natureza que se expressa através de vós, então renunciais internamente a vossas ações. Volvei-vos ao Eu-Espectador, deixando que a Natureza cuide dos resultados. Depois atingis a etapa final, quando podeis observar vosso eu representando seu papel na obra do mundo, sem antecipações nem expectativas. 

Não mais vos interessais pelo seu futuro e seus encargos. Isso compete à Natureza. Estabeleceis o exemplo e os outros vos imitarão e serão beneficiados. Seguindo este caminho com fé, podeis libertar-vos das ações e do destino. Libertar-vos-eis do ciclo dos nascimentos e mortes. Se dedicadamente satisfizerdes as primeiras etapas desta busca, tempo chegará em que o poder do espírito vos trará face a face diante do Eu-Espectador. 

Então vos libertareis do poder do destino acumulado. Mas assim que se obtenha um grau substancial de iluminação espiritual, não há necessidade de qualquer conflito entre esta iluminação e a maioria das atividades mundanas. Com efeito, algumas destas últimas podem parecer definitivamente não-espirituais, injustas ou materialistas aos olhos críticos dos demais, mas este é um assunto que não pode ser julgado pelas aparências. 

É concebível que um homem tome parte numa guerra, combata e mate, e contudo esteja animado por uma luz mais divina do que a generalidade dos seres humanos. O motivo será a única diferença entre ele e os demais soldados do mesmo exército. Ele combate impessoalmente, não sentindo o menor ódio nem má vontade para com o inimigo, compreendendo* que a vida não requer menos bom senso que boa vontade, e sabendo que ele está cumprindo um dever ordenado por seu destino e pela estrutura social de que ele faz parte, na defesa de seus país. Foi com essa atitude impessoal que Jesus expulsou os vendilhões do templo. Nenhum sentimento contra a fraternidade humana O levou a praticar esse ato."


Paul Brunton

(A Realidade Interna)


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