terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ensinamentos de Paul

"Não dizer "não!" a outra pessoa quando toda a prudência, inteligência, cautela e experiência nos impelem a fazê-lo é simplesmente covardia moral e verbal."

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"Se você precisar avaliar as motivações das pessoas e analisar seu caráter, faça-o somente para entendê-las, não para julgá-las. Não use isso para tagarelar sobre suas fragilidades pessoais."

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"Em geral, não existe um único fator responsável por um determinado mal, nem um único remédio que possa curá-lo. Reformadores têm, quase sempre, uma única visão e desviam nossa atenção de pontos importantes para que nos fixemos num único por eles escolhido. Não há dúvida de que são bem-intencionados, porém tendem a ser perigosamente fanáticos."


Paul Brunton
(Meditação para pessoas que decidem)

Corrigir e não se submeter

"Quando afirmamos que o karma é o que ocultamente governa o destino da humanidade e que essa força não pode ser seu árbitro final, não estamos necessariamente afirmando que se pode prescindir dessa força em favor de uma ética de não-violência... 

O sábio não aceita a doutrina mística da não-violência por várias razões filosóficas. A principal delas, contudo, é o fato de ele não desejar apoiar a má ação de quem a pratica e tampouco desejar suavizar o caminho deste, encorajando assim o mal, ou ser parcial com relação a ele. 

A dócil submissão à vontade de um agressor fará com que ele acredite que seus métodos compensam, ao passo que uma resistência determinada interrompe sua trajetória descendente, desperta dúvidas e até mesmo serve de instrução caso ele venha a sofrer uma punição."


Paul Brunton
(O que é o Karma?)

Sagrada Graça do Eu Superior

'Aqueles que acreditam que o universo é governado pela lei e que a vida humana, por ser parte dele, também deve ser por ela governada, acham difícil acreditar no perdão dos pecados e na doutrina da Graça da qual esse perdão faz parte. 

Porém, devem considerar que, se o homem deixa de aprender a lição e não corrige sua conduta, se ele volta a incorrer nos antigos erros, esse perdão automaticamente deixa de ser concedido.

A lei da retribuição não é anulada quando o homem recebe o perdão, mas sim modificada pela atuação paralela de uma lei superior."

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"Quando a total submissão do ego é recompensada pela sagrada Graça do Eu Superior, você recebe o perdão pelo seu passado, por mais negro que tenha sido, e seus pecados são verdadeiramente perdoados."



Paul Brunton
(O que é o Karma?)

O karma é uma lei dupla

"O karma é uma lei dupla que possui uma parte geral e outra específica. A primeira é básica e se aplica a tudo o que existe no universo, pois nada mais é do que a lei da continuidade de cada ente individual. Seja esse ente um planeta ou um protoplasma, ele precisa necessariamente herdar as características da sua existência anterior, ajustando assim o efeito à causa. A segunda é imediata, e só se aplica às pessoas que alcançaram a autoconsciência, limitando desse modo o início de suas operações aos seres humanos. Isso torna a pessoa responsável pelos pensamentos e pelas ações decorrentes desses pensamentos.

O universo não poderia existir do modo como é se não fosse sustentado por uma espécie de equilíbrio que o mantém unido, um tipo de ordenação equilibradora, como o girar da Terra sobre seu eixo e dos planetas ao redor do Sol. Se refletirmos um pouco, perceberemos o mesmo princípio na relação equitativa dos seres humanos com a Mente-do-Mundo [Deus] e entre eles mesmos. Neste caso, esse princípio se apresenta como o karma."


Paul Brunton
(O que é o Karma?)

Nosso livre-arbítrio atual é a origem de nosso destino futuro

"Os materialistas pintam um quadro terrível do universo, como se ele fosse uma imensa prisão na qual nosso destino, nossos pensamentos e atos são totalmente determinados pelo ambiente físico que nos cerca. 
Entre os orientais, aqueles mais ignorantes vivem aprisionados em um mundo onde se movem indefesos de um lado para o outro — prisioneiros da predestinação divina. 

O karma rejeita essas duas sombrias proposições e nos confere uma liberdade suficiente para moldar a nós mesmos e ao nosso ambiente.
No decorrer de nosso desenvolvimento influímos negativamente em nosso ambiente ou o enriquecemos, ajudamos ou atrapalhamos a natureza, e o inverso também é verdadeiro. O karma não diz que devemos ficar parados como pedintes maltrapilhos diante das portas do destino. Nosso livre-arbítrio passado é a origem de nosso destino atual, assim como nosso livre-arbítrio atual será a origem de nosso destino futuro. 

Por conseguinte, entre os dois, o fator mais poderoso é a nossa vontade. Não existe portanto espaço nem para o fatalismo nebuloso, nem para o excesso de confiança. Nenhum de nós pode escapar da responsabilidade pessoal com relação à formação da nossa perspectiva interior e do nosso ambiente externo, colocando a culpa em alguma coisa ou pessoa. 

Todos aqueles que enfrentam obstáculos deveriam beber uma taça do vinho da inspiração das mãos de Beethoven — o grande compositor. Ele, que buscava ouvir os mais sutis acordes da música, ficou totalmente surdo. Ele, que dedicou toda a sua vida a criar composições melódicas para os outros, certo dia tornou-se incapaz de ouvir as próprias obras. Esse fato o desapontou mas não o desencorajou. Ele enfrentou o problema com bravura no coração e declarou: "Enfrentarei o destino; ele nunca me abaterá!" Ele prosseguiu seu trabalho, oferecendo ao mundo coisas maiores e mais grandiosas, pois o que aprendeu no sofrimento ele ensinou na música."


Paul Brunton
(O que é o Karma?)


Um sonho mundial?

"O desejo de unificar os vários setores da vida, as diferentes crenças e atividades humanas — e a própria humanidade — é apenas um sonho.

As diferenças existem e irão, com algumas modificações, assim permanecer mesmo sob a aparência de alguma animadora pseudo-Utopia de um mundo unificado ou de parte dele.

Não há vantagem em negar tais diferenças, apenas auto-ilusão. A única união possível deverá advir da expansão interior, de um grande coração que não exclui nada nem ninguém; mas, ainda assim, não haverá uniformidade."


Paul Brunton
(O Caminho Secreto)

O segundo EU

"Há aspectos tão imponderáveis do pensamento, certos matizes de emoção tão sutis que geralmente não lhe damos atenção no decorrer da vida diária; todavia, são precisamente estas as experiências deixadas como sem importância que devemos utilizar, cultivar e desenvolver. 

O estudante deverá nelas se concentrar a qualquer momento em que apareçam, esforçando-se por entregar-se a elas por inteiro. Nesses estranhos momentos descobrirá o que quase poderia chamar o "seu segundo eu"; talvez sejam raros ou só apareçam em intervalos irregulares; contudo, a existência desses instantes é uma prova manifesta de que algo existe, de fato, em nós.

Esses momentos de êxtase dão uma chave para a verdadeira natureza do homem. Em cada um de nós existem numerosas fontes desconhecidas e inaproveitadas de paz e de sabedoria espiritual. De quando em vez nos vêem os murmúrios desse segundo eu, murmúrios que nos incitam à prática do autodomínio, a tomar o caminho superior e a transcender o egoísmo.

Devemos prestar muita atenção a esses sussurros e aproveitar esses raros momentos. São lampejos daquilo que podemos chegar a ser. Se essas ocasiões de percepção espiritual pudessem se prolongar, alcançaríamos a verdadeira felicidade. Com efeito, há algo que ocasionalmente se faz sentir desta maneira nas misteriosas profundezas da alma.

Não sabemos o que é, mas podemos saber o que diz. "Tudo o que há de melhor isso Sou" — é a sua voz silenciosa: É una conosco, e contudo sagrada e posta à parte. A finalidade dos exercícios de repouso mental é fazer ingressar na região oculta, que os psicólogos chamam o inconsciente."



Paul Brunton
(O Caminho Secreto)




Nas meditações

"... Nossos graves e eruditos céticos nos dirão que estes êxtases espirituais são meros distúrbios do sistema nervoso, e seus frios irmãos, os médicos, provavelmente os rotularão de "excessiva pressão sanguínea", ou outra coisa. 

Outros confundirão este estado com os devaneios introspectivos de algum sonhador solitário. Contudo, ao invés de rejeitar, com o prejuízo desdenhoso da incompreensão, estes vislumbres das gloriosas possibilidades do homem, seria preferível que eles os admitissem como demasiado estranhos para serem aceitos por sua razão, e os deixassem em paz por enquanto..."


Paul Bruton
(O Caminho Secreto)

Autoconsciência

"Quando, em nossas meditações, procuramos descobrir o nosso eu verdadeiro de suas múltiplas máscaras, chegaremos, por último, a um estado interno, que é realmente o mais interessante da vida.

Não é inconsciência. Não é sono. Não é sonho. Dentro de seu regaço, tornamo-nos consciente de uma intensa percepção do infinito. 

Entrar temporariamente nesta condição transfigura toda a natureza humana. Quando nos recolhemos à cidadela da alma, começa a desvanecer-se de nossa vista o movediço panorama das impressões sensórias. Ao penetrarmos Intimamente em nós mesmos, começa a desaparecer o quadro do mundo, que até então nos encantava e roubava de nossa verdadeira autoconsciência.

Quando colocamos nossa mente em repouso e nos recordamos do que somos, nossos esforços não necessitam mais ser premiados. Garantimos o bálsamo para o dia, e toda a vida nos parece boa. 

Quando a mente humana se detém em sua atividade incessante; quando ela se esvazia de toda imagem e ideia, então ela se torna um espelho claro, em que se reflete a inefável Divindade."

Paul Brunton
(O Caminho Secreto)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O sono profundo e o Eu Superior

(...) "O sono profundo é o que existe de mais próximo do céu, ao alcance do homem mediano. Quais são então as condições que se encontram no sono profundo?
Antes de mais nada, nele desaparece o eu pessoal. Não há ali ego, nenhum "eu". Segundo, a mente desaparece; não há nenhum movimento mental, nenhum pensamento, nenhuma ideação durante o sono profundo. Terceiro, o próprio mundo desaparece. Sois deixado num grande vácuo.

Devem reunir-se estas três condições. E ainda algo mais!

Quando entenderdes o mistério da consciência, conhecereis realmente o que é o reino do céu. Existe apenas uma consciência — não três — não uma consciência material e mais uma mental, mais uma espiritual, senão uma somente. Uma Luz brilha através do ser humano, e essa Luz é divina. 

Neste mundo material, pensar, mover-se e agir são apenas manifestações diferentes da consciência espiritual. Quando fazeis uma luz brilhar através de uma vidraça colorida, os raios que aparecem do outro lado parecem coloridos e, contudo, do vosso lado eles são brancos. Assim, quando a luz do Super-eu brilha através do vosso intelecto, não muda sua natureza; só a sua aparência muda. Manifesta-se como pensamentos e ideias, ou como energia física, e contudo permanece uma consciência espiritual. Não pode alterar sua natureza real.

A luz de uma lâmpada de vidro leitoso que projeta seus raios através de uma vidraça amarela, não está emitindo dois tipos de raios diferentes, mas apenas um e o mesmo. Se tivésseis um vidro vermelho colocado logo na frente da vidraça amarela, e produzindo uma cor diferente, veríeis então dois jogos de raios de côr diferente. Atrás estaria ainda brilhando, na lâmpada de vidro original, a terceira, ou antes, a luz branca original. Poderíeis dizer que há ali três luzes diferentes? 
Não, afinal é realmente uma única e a mesma luz manifestando-se através de todos os três."(...)


Paul Brunton
(A Realidade Interna)