sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

A busca da Verdade aborrece os homens

O maior enigma da ciência: o homem


"(...) No teatro da vida filósofo tem seu lugar reservado nos balcões, donde observa de longe o cenário da peça representada no palco.

É possível que esta posição exteriorizada o capacite a fazer julgamentos adequados sobre tudo aquilo. Aqueles que se sentam nos balcões ante a Exibição Passageira deste Mundo têm uma visão mais aproximada do que aqueles que se sentam na galeria, mas necessariamente não têm um conceito mais real da representação.

O misterioso sentido da vida nada significa para nós. Não queremos que esse problema penetre em nossa consciência. Preferimos deixar esta investigação aos velhos caducos que gostam de filosofar ou aos crédulos párocos. A busca da Verdade aborrece os homens. O que devia representar para nós um objetivo atraente se tornou em nossos dias um interesse inconfessável, assunto de conversão inadmissível na polida sociedade.

Deus escreve Sua mensagem na face do nosso redondo planeta, mas o homem cego é incapaz de ler
essa mensagem. Uns poucos, tendo vista, a interpretam para os outros. Contudo, a massa humana ri cinicamente dos seus esforços e só os poucos intuitivos entre os espíritos cultos e inteligentes e algumas almas singelas entre os operários e camponeses, recebem essa mensagem e a retribuem na afeição aos mensageiros. Não se deve estranhar portanto que a história contemporânea seja uma longa sequência de tragédias e lágrimas; aliás a história completa da humanidade não é uma tragédia nem uma comédia: não cai nenhuma cortina nem há nenhum fim. (...)"


Paul Brunton
(O Caminho Secreto)



Erros do buscador espiritual

" (...) Se podeis imaginar a Supermente como um grande oceano com miríades de braços, cada um representando uma mente humana individual, estais a caminho de compreender a origem dos fenômenos ocultos e o princípio da telepatia.

Muito ouvimos falar de poderes ocultos. Há pessoas que supõem que o desenvolvimento destes poderes ou é um complemento necessário da busca ou é em si desejável. Os poderes ocultos nada têm a ver com nossa busca. Na busca do Super-eu não devemos deter-nos na rota. 

Todos os poderes ocultos são inerentes ao plano da mente. São fenômenos dentro da região da Supermente planetária. Se obtiverdes acesso às regiões da Supermente, obtereis acesso aos poderes ocultos.

Mas a Supermente não é o Super-eu. É um plano inferior. Se pretendeis permanecer dentro da região da Supermente, nunca atingires o Super-eu. Que quereis? Quereis o reino do céu? 
Então deveis prosseguir. Deveis pôr de lado a Supermente e com ela os poderes ocultos. Aprendei a penetrar naquela porta estreita onde tudo é deixado atrás: posses materiais e posses mentais.

Se vos apegais a poderes ocultos, nunca podereis atravessar a porta que leva ao reino do céu. Estes poderes não interessam à nossa busca do Super-eu. Algumas pessoas desperdiçam seu tempo e energia na perquirição destes poderes, porém são pouquíssimas as que conseguem obtê-los.
No entanto, se o conseguem, farão alto em sua busca espiritual.   E ficarão marcando passo até desistirem de sua perquirição de fenómenos ocultos. É fácil compreender quantos cultos surgem acompanhando líderes já detidos em vários pontos ao longo do caminho de sua busca da verdade.

Sim, é perfeitamente possível curar. O poder da Supermente é tal que pode salvar-vos das garras da morte, onde os médicos desistiram desesperados. Mais de uma vez vi este poder salutarmente exercido. Mas o segredo é que ele operou através de um canal humano que deliberada e egoisticamente não se pôs a curar, e consequentemente a cura foi certa e permanente.

A cura mental só se justifica quando cria um visão superior no paciente, quando lhe dá a compreensão de que ele não é o corpo, mas algo não-material.

Jesus prometeu que todas as demais coisas vos seriam acrescentadas, se buscásseis o reino do céu. Vedes assim que existe um caminho superior para obter demonstrações, um caminho superior que requer que busqueis o reino do céu. E se quereis encontrar esse reino, tendes de renunciar a vosso ego pessoal, e se renunciais a vosso ego pessoal, renunciais ao desejo de coisas materiais. Tereis certas necessidades materiais, mas então as confiareis a vosso Pai no céu, e Ele cuidará delas. Mas se concebeis que sois mais sábio que vosso Pai e tentais ditar ao Pai por meio da concentração mental, então Ele vos deixa a sós, para que descubrais as coisas por meio de vossas próprias experiências.

Tendes o caminho de Jesus e tendes o caminho desses cultos; são dois caminhos diferentes. E ainda que os cultos usem o nome de Jesus e pretendam que O estão seguindo, não são a mesma coisa. Os caminhos são diferentes. Certas demonstrações materiais são possíveis através de ambos os caminhos, mas outras não o são por nenhum. A última palavra pertence a Deus e não a nós. Mas o primeiro é o caminho da submissão da vontade do eu pessoal, e portanto, sempre traz a paz e fortaleza internas para enfrentarmos as dificuldades, quer isso importe ou não em atrair boa fortuna ou saúde. O segundo é o caminho do uso do eu pessoal para satisfazer desejos pessoais; e sempre traz inquietude e incertezas mentais com as quais enfrentamos as dificuldades. O primeiro caminho é divino e certo; o segundo é egoísta e errado. (...)"


Paul Brunton
(A Realidade Interna)

A meditação diária

"A meditação produzirá os maiores resultados quando é feita regularmente e todos os dias e não com interrupções, pois é algo que "impregna" gradativamente pelos repetidos esforços diários. 

A prática diária do repouso mental deve ser feita tão regularmente como o comer. O hábito governa nossa vida. O homem que aprendeu o segredo de criar hábitos poderá controlar o que controla a vida.
E o melhor hábito que o homem possa adquirir é o da meditação.

Não somente desejo acentuar, mas re-acentuar o surpreendente valor e a urgente necessidade deste hábito. Com o tempo descobrireis que o período diário da quietude mental se tornará uma almejada alegria, em vez de um dever disciplinar, como parecia no início, e não permitireis que nada interfira nele."


Paul Brunton
(O Caminho Secreto)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Uma Frase de Paul Brunton diariamente

Há um trabalho experimental, voluntário, e que visa promover o envio de frases de Paul Brunton, diariamente e gratuitamente, por e-mail. 

O intuito apenas é de divulgar o ensinamento filosófico-espiritual do autor.

As frases serão coletadas aleatoriamente, dos escritos de Paul Brunton, lembrando que sem modificação ou acréscimo nas mesmas - portanto, frases genuínas.

Quem quiser saber sobre o trabalho e receber no seu e-mail todos os dias estas frases, acesse o link e inscreva-se gratuitamente:


Gratidão.
Sora

Agir com prudência

"Não dizer "não!" a outra pessoa quando toda a prudência, inteligência, cautela e experiência nos impelem a fazê-lo é simplesmente covardia moral e verbal."

***


"Se você precisar avaliar as motivações das pessoas e analisar seu caráter, faça-o somente para entendê-las, não para julgá-las. Não use isso para tagarelar sobre suas fragilidades pessoais."

***

"Em geral, não existe um único fator responsável por um determinado mal, nem um único remédio que possa curá-lo. Reformadores têm, quase sempre, uma única visão e desviam nossa atenção de pontos importantes para que nos fixemos num único por eles escolhido. Não há dúvida de que são bem-intencionados, porém tendem a ser perigosamente fanáticos."


Paul Brunton
(Meditações para Pessoas que Decidem)

Eu Superior, o bom karma e o mau karma

"O Eu Superior não transgride em nenhum momento a lei das consequências. 

Se por seus próprios esforços você vier a modificar os efeitos dessa lei em uma determinada situação, ou se o mesmo acontecer pela manifestação da Graça, tudo ainda ocorre de acordo com aquela lei — pois não se deve esquecer que a porção de karma selecionada para uma determinada encarnação não esgota toda a reserva existente no arquivo de uma pessoa. 

Existe sempre muito mais do que a porção relativa a uma única vida na Terra.

O que acontece é que uma parte do bom karma se manifesta ao mesmo tempo que o mau karma, e a natureza desse bom karma e a ocasião em que ele ocorre fazem com que ele neutralize completamente o mau karma, se o resultado a ser alcançado for sua anulação, ou o neutralize parcialmente, se o objetivo final for sua modificação.

Assim, a mesma lei continua a agir, mas há uma mudança no resultado da sua ação."


Paul Brunton
(O Que é o Karma?)

A Graça como emanação permanente e constante do Eu Superior

"A noção da Graça como é apresentada nas religiões populares talvez tenha sido útil para as massas, mas necessita de uma grande visão no caso dos buscadores filosóficos.

Ela não é concedi-da segundo os caprichos de um Deus pessoal, nem unicamente após esforços para merecê-la. 

A Graça assemelha-se mais a uma emanação permanente e constante do Eu Superior de cada pessoa, sempre disponível, mas da qual cada um de nós precisa compartilhar por si mesmo.

Se por vezes ela parece intervir de forma especial em favor de alguém, isso se deve à imensa sabedoria que escolhe o momento exato de liberar determinado bom karma."


Paul Brunton
(O Que é o Karma?)

O perdão não destrói a lei do karma; ele a complementa

"Seria o perdão uma impossível anulação da lei do karma? Não há nenhuma maneira de escapar de
uma consequência kármica que conduz a outras consequências, criando uma série delas interminável e sem esperança?

Acredito que uma resposta para a primeira pergunta tenha sido dada por Jesus, e para a segunda por Ésquilo. Mateus 12:31: "Portanto, vos digo: todo pecado e blasfémia serão perdoados aos homens", declarou Jesus. Quanto ao difícil problema apresentado pela segunda pergunta, considere a solução sugerida por Ésquilo: "Somente no pensamento de Zeus, não importa quem Zeus possa ser." O karma precisa agir automaticamente, mas o Poder por trás do karma tudo sabe, controla todas as coisas, controla até o próprio karma; sabe e compreende quando o perdão deve ser concedido. 

Nenhuma mente humana é capaz de compreender esse Poder; por conseguinte, Ésquilo acrescenta a frase: "Não importa quem Zeus possa ser." O perdão não destrói a lei do karma; ele a complementa.
"Todos nós, mortais, necessitamos de perdão. Não vivemos como desejaríamos, mas sim como podemos", escreveu Menander quase quatrocentos anos antes da época de Jesus."


Paul Brunton
(O que é o Karma?)

Ensinamentos...

"Aqueles que refutam a doutrina do destino autodeterminado, que defendem uma absoluta liberdade da vontade, precisam mostrar de que maneira o livre-arbítrio pode mudar os resultados de um assassinato. Pode ele devolver a vida ao cadáver ou salvar da morte o criminoso? E ele capaz de eliminar a infelicidade da esposa do homem assassinado? Pode ele fazer desaparecer a sensação de culpa da consciência do assassino? Não — tudo isso inevitavelmente decorre do ato praticado."

 ***

"A ênfase excessiva em algumas crenças como astrologia, por exemplo, pode fazer com que você deprecie ou até mesmo esqueça completamente suas possibilidades criativas. As duas posturas são oscilações extremas do pêndulo. A astrologia baseia-se na perspectiva do karma no que diz respeito às tendências e ações. A liberdade de decisão repousa na necessidade evolutiva de permitir que cada pessoa expresse a criatividade que ela recebe do Eu Superior. Você precisa unir os dois fatores para descobrir a verdade."


 ***

"A liberdade existe em seu coração, ou seja, em seu Eu Superior. O destino existe em sua vida exterior, ou seja, em sua personalidade. E como cada ser humano é uma combinação desses dois seres, nem a posição fatalista absoluta, nem a do total livre-arbítrio são completamente corretas e a vida exterior também deve ser um misto de liberdade e destino... Nenhuma ação é inteiramente livre nem totalmente predeterminada; todas apresentam esse caráter duplo."


Paul Brunton
(O Que é o Karma?)

A Lei da Graça

"Algumas pessoas têm dificuldade em entender o lugar exato da Graça no esquema das coisas. 

Se elas acreditam na lei da retribuição, não parece haver espaço para a lei da Graça. 
É verdade que precisamos aperfeiçoar nossa conduta e corrigir nossos defeitos; também é verdade que não é possível escapar dessas obrigações necessárias. No entanto, pode-se fazer isso sozinho ou com a ajuda do Eu Superior, com o pensamento voltado para Ele e mantendo a constante lembrança de sua presença.
Esse segundo caminho favorece a possibilidade da Graça. Ele só poderá vigorar se o primeiro tiver sido seguido e apenas se a aspiração tiver conseguido elevar a consciência ao Eu Superior. Basta um momento de contato para que esse fim seja alcançado. O que então acontece é que a transformação interior é concluída e a consequência kármica remanescente, não resolvida, é, dessa forma, anulada. Não se trata aqui de se conseguir "algo em troca de nada", nem de uma falha da lei da retribuição. De qualquer modo, o ego precisa usar sua vontade para arrepender-se e corrigir-se."


Paul Brunton
(O Que é o Karma?)

Qualquer outro tipo de libertação é falso

"Calmamente reconheça que o sofrimento tem sua parte na tarefa de manifestar o plano divino, que as pessoas têm lições a aprender por meio dele que de outra forma não aprenderiam, e que esse sofrimento deveria, em tais casos, ser recebido com compreensão em vez de sentimentalismo neurótico.

Encare o fato de que muitas pessoas não aprenderão por meio da razão, intuição ou ensinamento e que ninguém pode libertá-las de seus sofrimentos a não ser elas mesmas. 

Qualquer outro tipo de libertação é falso.

Muitos podem conseguir isso hoje e ver a mesma condição retornar amanhã.

Em certas situações que exigem decisões firmes, você não deveria, por exemplo, demonstrar injustificável fraqueza acreditando estar sendo tolerante, nem submeter-se ao egoísmo anti-social supondo estar sendo amoroso, nem abandonar suas maiores responsabilidades sob pretexto de manter uma paz falsa e superficial com a ignorância que o cerca, nem passivamente aceitar um erro flagrante com a justificativa de que a vontade de Deus deve sempre ser aceita."



Paul Brunton
( O Caminho Secreto)


A Verdade Acima de Tudo

"(...) A primeira característica não é senão um forte desejo de encontrar a verdade. O candidato tem de aprender a pôr-se de joelhos para libertar-se da ignorância. Nenhum sábio asiático chegaria sequer a tocar no alfabeto da filosofia para qualquer pesquisador se notasse a ausência ou a insuficiência desse desejo. Não é possível atear fogo a uma pilha de lenha encharcada enquanto a madeira não secar um pouco. Tampouco poderá um mestre consciencioso tomar uma pessoa mundana, para quem o mundo dispensa discussões e está muito bem tal qual se encontra, e elevar a sua mente às mais altas regiões do ser. Esse desejo representa uma oitava acima do mesmo e profundo anseio para chegar ao coração oculto da vida a que os místicos denominam de manifestação da Graça; mas aqui ele passa de uma emoção compulsiva para um calmo pensamento à medida que assume uma forma mais avançada e exige a verdade derradeira de preferência a uma satisfação temporária. 


Não são muitos os que nascem com esse dom de amar a verdade pela verdade, pois de hábito a mente não tem nenhuma propensão a esgotar-se na sua procura. 

Aquelas pessoas que mais tarde adquirem tal dom fazem-no quase sempre em razão de algum sofrimento profundo, alguma perda trágica ou alguma decepção com a religião ou o misticismo. Pode também o dom despertar através do contato com um sábio genuíno, quando a demonstração externa das suas vantagens, particularmente nos momentos críticos, torna-se não só patente como também chamativa para a mente.

O desejo da verdade significa realmente o desejo de livrar-se da ignorância. Nenhum homem realmente reflexivo pode quedar-se satisfeito como um simples animal sensual, mas depois do pasmo ou dúvida inicial perante o espetáculo cósmico terá de empolgar-se com o esforço para rasgar o véu que oculta o significado da vida. 
Cumpre-lhe empenhar-se na extinção da sua ignorância; se ele coloca como dogma que a verdade é inacessível, torna-se com isso inapto. Que ele se esforce primeiro, e jamais desista desse esforço, se deseja pontificar com acerto sobre o assunto.

E todo aquele que sentir apenas uma curiosidade passageira tornar-se-á igualmente inapto, pois dentro de pouco tempo irá também escapar pela tangente. Com relação à sabedoria o homem tem de ser um discípulo ardente ou nada. Mais talhado para a filosofia é aquele que para ela é atraído por uma paixão abrasadora pela verdade ao invés de uma repugnância ascética pelo mundo. A verdade exige uma devoção profunda antes de revelar-se. Poucos a desejam com tal intensidade. A maior parte dos homens e das mulheres poderá interessar-se por ela como um passatempo ou como um pretexto para algum ameno debate social, mas não permitirá de forma alguma que ela se imiscua na sua vida. 
O resultado é que sairão logrados, recebendo em troca um pálido substituto, porque assim como nas habituais transações com as coisas materiais o que se recebe é exatamente aquilo que se paga. De qualquer forma, muito cedo na busca as pessoas são postas à prova. 

Aquelas que inconscientemente são insinceras ou cujos motivos são apenas medíocres ou cujos objetivos são limitados permitirão que o seu amor por coisas menores porém tangíveis suplante o seu amor pela verdade intangível. Pois virá o tempo em que irão entregar-se a profundas considerações, não apenas se desejarem a verdade mais elevada mas também se a desejarem independentemente da sua amenidade ou não. (...)".


Paul Brunton
(A Sabedoria Oculta Além da Ioga)

A expansão interior

"O desejo de unificar os vários setores da vida, as diferentes crenças e atividades humanas — e a própria humanidade — é apenas um sonho.

As diferenças existem e irão, com algumas modificações, assim permanecer mesmo sob a aparência de alguma animadora pseudo-Utopia de um mundo unificado ou de parte dele.
Não há vantagem em negar tais diferenças, apenas auto-ilusão.

A única união possível deverá advir da expansão interior, de um grande coração que não exclui nada nem ninguém; mas, ainda assim, não haverá uniformidade."

Paul Brunton
(Meditações para Pessoas que Decidem)