quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Os Graus Religiosos e Místicos

(...) Algumas antiquíssimas indagações vêm confrontando permanentemente a humanidade. Será a vida tão-somente uma tremenda porém trágica e patética brincadeira que o Criador faz com a humanidade? Esse vasto panorama de estrelas incandescentes ocupando uma enorme porção de espaço tem ou não um significado? Não passaremos nós de meros acidentes biológicos em perene e inútil desfile através do tempo? Não será o homem senão um círio tremeluzente que esparge a sua pequenina luz nas sombras por alguns instantes para depois desaparecer para todo o sempre?

As primeiras respostas a estas perguntas foram dadas pelos homens nas primitivas religiões, a esta altura perdidas no atro abismo da pré-história, e cujos ecos, atravessaram os tempos para chegar até nós. Um pouco de pesquisa basta para mostrar que nenhuma fé é inteiramente nova, que poucos dogmas são características exclusivas de uma única religião, mas todos têm uma ascendência mista.

Assim como na linguística a palavra sânscrita bharter, a latina frater, a francesa frère, a alemã bruder, e a inglesa brother indicam a mesma raiz ariana, assim também a semelhança entre diversas doutrinas religiosas indica a influência de contatos mais antigos. As pesquisas conhecidas da religião comparada e as revelações da mitologia comparada já fizeram franzir o cenho àqueles que entretém a estreita visão de que algum credo em particular contém a única revelação feita por Deus, qualquer que seja ele. Em cada uma das religiões ouvimos aproximadamente os mesmos sons: o receio do sombrio mundo do além, o deslumbramento ante a pompa da Natureza, o preito a um maravilhoso Ser superior que criou tanto o conhecido quanto o desconhecido, súplicas em prol de favores pessoais ou nacionais, consolações para os aflitos, sussurros abafados acerca de princípios profundamente filosóficos e débeis esboços de altas verdades — tudo curiosamente misturado e terminando em benéficas injunções de ordem moral.


Religião pode ser concisamente definida como a crença num Ente ou Entes sobrenaturais. Cada religião em sua origem fazia decerto jus à denominação de revelação, pois era antes um apelo à fé e à fantasia do que à capacidade crítica do homem.

A mais importante e significativa de todas as religiões foi a consequência da tentativa feita por um homem realmente sábio, posteriormente convertido pela história em líder titular dessa mesma religião, de partilhar os seus conhecimentos com a massa ignara valendo-se do único recurso ao alcance da gente simples: utilizar crenças simbólicas e fábulas simples ao invés de verdades claras e diretamente enunciadas. Tais homens muito raramente têm aparecido neste nosso mundo. Não é preciso que os imaginemos como superseres, como de hábito fazem os seus seguidores, embora tenhamos que reconhecer que um profundo destino reservou uma enorme importância às suas vidas e às suas palavras. Até mesmo Macaulay, cético como era, não resistiu ao desejo de escrever que: Dar à mente humana uma orientação que ela conservará durante milênios é a prerrogativa de alguns espíritos imperiais. São tais espíritos que movimentam os homens que, por sua vez, movimentam o mundo. (...)


Paul Brunton

(A Sabedoria Oculta Além Da Ioga)


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