quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O que são os sonhos?

Nos sonhos apareceis tal qual em vossos períodos de vigília, e as vossas características podem ser as mesmas. E o que sois nos sonhos? Precisamente a mente menos o corpo. Que é o estado de sonho? 

Nada mais que um estado mental. E a mente funcionando dentro de si própria, fizer uma série de ideias atravessando a consciência. Se o eu pode desligar-se completamente do corpo para reaparecer vivo no sonho, o qual consiste numa série de pensamentos e imagens mentais, então o sonho não é mais que mental. Todavia, não cometais o engano de supor que quando digo que eu e mente são sinônimos, quero significar a última realidade. Por trás da mente há ainda algo mais. Mas do ponto de vista do corpo existe uma realidade, e essa realidade é a mente. Se fosse suficientemente analisado por um cientista, um sonho seria prova de que o homem é mente fora do corpo, e que a alma nada mais é que mente.

No sono profundo o corpo fica totalmente insensível. Então não tendes nenhuma consciência do ego. O corpo não diz "eu"; nem a mente; não há pensamentos. Ao acordardes, o eu reaparece. Se o eu fosse apenas corpo e nada mais; se não houvesse espírito no homem, nem alma, nada para sobreviver a essa morte temporária do eu, que é o sono, jamais poderíeis dormir; no estado de sono profundo, teríeis plena consciência. O corpo não perderia consciência senão pela morte, se fosse exclusivamente sua a consciência que ele possuísse. O fato de poderdes perder completamente a consciência corpórea no sono e contudo continuar a existir, é prova de que a consciência superior deixou totalmente o corpo, ao passo que o eu subsiste, fora e bem apartado do corpo. Tal é precisamente o que ocorre; a alma, que é a mente, se afasta do corpo no sono, tal qual o faz na morte. Nos estados mais profundos do êxtase e do hipnotismo, a mente é expelida, literalmente retirada do corpo, e ocorrem coisas curiosas. 

Às vezes ela se transporta a lugares distantes e relata o que ali acontece. Isto não sucederia se a mente ou o eu fosse permanentemente um apêndice do corpo. Se o corpo constituísse a soma de vossa autoconsciência, jamais poderíeis projetar a consciência sem também projetar o corpo. Mas o fato de que a consciência foi projetada fora do corpo mostra que é algo separável desse corpo.

Se meramente com uma visão imparcial e despida de preconceitos observarmos nossas relações com o corpo e as analisarmos, seremos forçados a concluir que o eu não pode ser apenas o corpo. O corpo pode ser uma parte do "eu", mas este é algo mais que o corpo, algo mais sutil.

O que se deixa então? Vossos pensamentos e sentimentos. Se nossos psicólogos continuarem suas investigações do sono e sonhos, sem dúvida um dia compreenderão porque o sono existe, e que é realmente uma questão de ser desvinculado do corpo. E isso que ele é. A confusão é que a maioria das pessoas nunca quer deter-se para analisar e refletir nas suas relações com o corpo físico.   Tomam isso como assente.   Não querem inquirir.

Se seguirdes essa linha, não haverá nenhuma esperança enquanto não começardes a inquirir e a indagar se o corpo realmente representa todo o vosso ser. Mas com o início da inquirição e investigação surge a esperança, e então podeis começar a encontrar a verdade. É por isso que a análise é importante. Deveis fazê-la intelectualmente primeiro, para obter a correta atitude mental.(...)


Paul Brunton

(A Realidade Interna)

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