segunda-feira, 6 de julho de 2015

O karma e a reencarnação 2

(...) O karma não nos condena portanto, a um fatalismo completo.
Ele é apenas um componente da vida. O elemento liberdade está igualmente presente. Não há liberdade absoluta na vida, mas não há também fatalismo absoluto.

O karma nos torna pessoalmente responsáveis pelos nossos pensamentos e atos. Nós não podemos atirar sobre os outros a culpa pelas nossas más ações, nem sobre o nosso próximo, nem sobre nós.

Nós retomamos nossas velhas tendências a cada novo nascimento neste frágil invólucro carnal, renovamos grandes amores e grandes amizades, voltamos a enfrentar antigos problemas de inimizades, sofremos ou gozamos os castigos merecidos e bebemos no cálice da experiência da vida até nos saciarmos.

Mas a saciedade obriga à reflexão, e esta, por sua vez, traz a sabedoria.  Quando tivermos percorrido toda a escala, desde o andrajoso mendigo até o monarca aureolado, aprenderemos afinal como lidar sabiamente com as contrastantes situações da existência humana. Quando houvermos sido tentados, atormentados e desiludidos, quando tivermos queimado os dedos em virtude de más ações ou houvermos colhido as recompensas das boas ações, compreenderemos afinal a melhor maneira de nos conduzirmos no trato com os outros.

Todos nós somos os produtos da nossa invisível experiência passada e do nosso esquecido pensamento passado, e não temos culpa pelo que somos: não podemos evitá-lo, mas culpa nos cabe se não nos esforçarmos para melhorar.  O tempo é, portanto, o supremo mestre. Mortal algum poderá dar-nos as lições que ele coloca aos nossos olhos. O tempo nos traz toda a riqueza da experiência, reduz erros a sabedoria, dor a paz, desilusão a disciplina e ódio a boa vontade. (...)"

Paul Brunton

(A Sabedoria Oculta Além da Ioga)




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