quarta-feira, 1 de março de 2017

Cuidado com as meias-verdades

Uma variedade de influências sugestivas, vindas de diversas fontes, age sobre a mente e os hábitos dos estudantes, influências que podem ser muito boas para os outros mas que podem ser nocivas à eles, individualmente, nesse estágio particular de progresso espiritual. Isso ocorre não apenas nos assuntos triviais da vida cotidiana, mas também nos assuntos mais elevados da vida de aspiração. 

Verdades puras e mentiras tenebrosas, meias-verdades e meias-mentiras habilmente combinadas são continuamente apresentados à sua consciência. Não apenas sua vida física, mas também sua vida mental, devem transformar-se num processo de aceitação cuidadosa e rejeição vigilante.

Em determinado estágio da busca, deve-se tomar cuidado especial contra "verdades" habilmente sugeridas por pessoas que confundem sua própria luz bruxuleante com a glória do sol, e os preconceitos nascidos de sua própria experiência limitada com a sabedoria nascida do insight. Esse cuidado é especialmente necessário na esfera da experiência mística.


Paul Brunton
A Busca

...Bela, radiante, benigna e indestrutível!

Na prática da meditação, no estudo da metafísica e na conduta correta temos o caminho triplo que traz satisfação, paz, sabedoria e a verdadeira prosperidade. 

Jesus ensinou-nos tudo isso há muito tempo, mas, infelizmente, sua mensagem foi mal compreendida, distorcida e a té mesmo falsificada. No entanto, ele ensinou também que todos somos filhos de Deus. 

E é o dever de um Pai olhar por seus filhos. Apesar das tragédias e horrores do nosso tempo, os que têm olhos para ver ainda conseguem enxergar os braços divinos envolvendo-nos. 

Apesar da presença de monstruosidades no mundo, há também a presença do Eu Superior - bela, radiante, benigna e indestrutível.


Paul Brunton
A Busca

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Sobre psiquismo

Fique longe de práticas psíquicas e investigações ocultas. São cheias de perigos e armadilhas. Em
primeiro lugar, devote suas energias ao trabalho fundamental de aprender filosofia, melhorar o caráter, disciplinar as emoções e cultivar a calma. Só quando esse trabalho estiver bem avançado será seguro você se dedicar ao ocultismo, pois só então estará bem preparado para isso.

Deve-se fazer, mais uma vez, uma advertência contra os perigos de se cair no mero psiquismo, na busca de fenômenos, visões, milagres e outras coisas que ainda estão no domínio de um materialismo sutil e que estão sempre ligadas ao ego pessoal. 

A verdadeira experiência espiritual é superior a isso, é mais pura e deixa o indivíduo absolutamente calmo, enquanto os fenômenos psíquicos deixam-no excitado. Todos esses fenômenos envolvem pensamento e emoção, enquanto a experiência espiritual mais profunda dá-se sob o pensamento e a emoção, e especialmente sob o eu pessoal. Só então se entra em contato com o Infinito poder-de-vida que está por detrás de tudo, e que é a verdadeira meta desta Busca.


Paul Brunton
A Busca


Estágios para a Filosofia

Primeiro estágio: É atingido pelos que estudam apenas metafísica ou praticam apenas o misticismo. E retirar-se dos sentidos e de seus objetos. É negativo. Leva à percepção de que o mundo externo é insatisfatório. É o grande afastamento dos objetos dos sentidos. É um estágio ascético; é acompanhado de pensamentos; é o reconhecimento de que a matéria não é fundamentalmente real. É caracterizado pela mudança moral. É a descoberta, por meio de um vislumbre da natureza espiritual do homem, que é um enlevado senso de união com o ser imaterial superior. Ele sente, ocasionalmente, que é divino.

Segundo estágio: Afirma a realidade fundamental, positiva e única. Produz a visão da luz mística do Logos; só pode ser atingido pelo misticismo. É a entrada no Vazio; é a descoberta do Espírito; é transe. É livre de pensamentos, deleita-se na solidão. Essa clara compreensão de Deus no coração marca o estágio do Observador, próprio da experiência ultra-mística. O homem sente-se totalmente desapegado de suas atividades, ou das atividades do mundo, tanto que é asceticamente tentado a retirar-se da vida. Se, no entanto, o destino obriga-o a continuar no mundo, ele, de maneira singular, se sentirá o tempo inteiro como o espectador de um filme; mas essa não pode ser a meta humana final.

Terceiro estágio: É no mundo, mas não do mundo. É o retorno ao mundo exterior dos sentidos e a descoberta de que ele também nasceu de Deus. Nunca perde de vista sua unidade com a vida, mas insiste em sua conexão com a ação. Em vez de transformar-se num refúgio para sonhadores, faladores e escapistas, transforma-se numa dinâmica inspiradora. É a realização do Todo em si mesmo e de mesmo no Todo. Com essa realização ele se lança, incessantemente, ao serviço humanidade.


Paul Brunton
A Busca




Beleza interior

Nas épocas tribais primitivas era costume, em muitos lugares, medir o conhecimento pelo comprimento da barba. Atualmente, muitos de nossos mais brilhantes especialistas em energia atômica são comparativamente jovens e certamente sem barba! Medir a virtude pela beleza do rosto é tão sensato quanto seguir, hoje em dia, o costume primitivo.

Mas não é uma atitude incomum, entre os que supostamente buscam a verdade, seguir um instrutor espiritual porque seu rosto os agrada e rejeitar outro porque sua aparência física os desagrada! Soren Kierkegaard diz em Concluding Unscientific Postscript: "Ele (Sócrates) era muito feio, tinha pés grosseiros e, além de tudo, muitos calombos na testa e em outras partes do corpo, o que bastaria para persuadir a qualquer um de que era um ser desmoralizado. Era isso que Sócrates considerava uma aparência favorável, e estava tão satisfeito com ela que veria como uma tramoia da divindade impedirem-no de tornar-se um instrutor de moral, tivesse ele recebido a aparência atraente de um efeminado tocador de cítara, o olhar meloso de um jovem pastor, os pés delicados de um mestre de dança da Sociedade de Amigos e, in toto, uma aparência favorável, desejada por alguém que procura emprego por meio de anúncios de jornal ou de um teólogo que depositou suas esperanças numa entrevista.

Por que estaria esse velho mestre tão satisfeito com sua aparência desfavorável, se não por compreender que ela o ajudava a manter o aprendiz a distância, evitando que se lançasse num relacionamento direto com o instrutor, que o admirasse e começasse a usar roupas iguais às dele? Pelo efeito repulsivo exercido pelo contraste, que num plano mais alto era também o papel desempenhado por sua ironia, o aprendiz seria obrigado a compreender que estava essencialmente ligado a ele, e que a interioridade da verdade não é a interioridade amistosa com que dois amigos do peito caminham de braços dados, mas a separação com a qual cada um por si existe na verdade.


Paul Brunton
A Busca




...Provações internas.


" Quando começa a receber instrução de seu instrutor, o discípulo também começa um período de provação em seu caminho interior e de separação de suas fraquezas internas. A provação gradualmente o habilitará a revelar os diferentes aspectos de sua personalidade e indicará sua real receptividade à influência do instrutor. Durante esse processo, surgem as qualidades que estão latentes sob a superfície; as situações se organizam por si mesmas de tal forma que o forçam a expressá-las. Em resumo, o que está escondido se revela. Assim ser-lhe-á dada a oportunidade de examinar seus alicerces morais antes de avançar para o treinamento místico intensivo que colocará em suas mãos o poder e o conhecimento ocultos. Sem esses alicerces, aquele que tomar posse desses poderes poderá logo cair em tentações invencíveis, com resultados desastrosos para si próprio e para outras pessoas. O conflito interno faz vir a provação e o forçará a enfrentar a si mesmo, a reconhecer as fraquezas presentes em seu interior e a tentar vencê-las. Se não houver outra maneira de levá-lo a isso, então ele terá que sofrer as consequências dessas fraquezas, assim como as de tê-las guardado consigo. Naturalmente, esse fase do caminho do discípulo estará cheia de tensões e o levará a muitas dúvidas sobre si mesmo. O período de provação é um tempo de testes severos e fortes tentações. Entretanto, o princípio da provação é um princípio sadio. Escapando ao vórtice de seus testes, tensões e comoções, ele tem a oportunidade de emergir como um homem mais forte e mais sábio. "


Paul Brunton
A Busca





Testes do caminho...

A presença imediata de um instrutor age como catalizador sobre o estudante. Seus defeitos, assim
como suas virtudes, não podem ficar ocultos por muito tempo, e as circunstâncias geralmente se combinam de forma a fazer com que essas qualidades se revelem fragorosamente, no tempo certo. Portanto, existe, necessariamente, um período de noviciado. Os testes não ocorrem por meio de um ato arbitrário do instrutor, mas por meio de acontecimentos comuns da vida cotidiana e por meio das pessoas que ele vem a conhecer. Não são apenas testes de natureza ética — afinal, somos todos pecadores até compreendermos a verdade — mas envolvem também sua devoção à verdade, em oposição às suas falsificações. O estudante será testado, em primeiro lugar, no sentido de observar em que medida pode permanecer pessoalmente leal ao instrutor — pois este está em relação simbólica com a verdade — apesar dos esforços de críticos e inimigos no sentido de revestir com uma aparência plausível e sua oposição. A condição mais elementar para a instrução espiritual é a completa confiança entre instrutor e discípulo. Todos os tipos de críticos cegos e inimigos maliciosos aparecem, de tempos em tempos, tentando perturbar essa confiança. Eles são, consciente ou inconscientemente, os instrumentos de elementos adversos na natureza. Ele será testado também por abalos superficiais em suas prevenções, ideias preconcebidas e expectativas. Será testado para revelar até onde está disposto a ir no serviço altruísta à humanidade, principalmente quando esse serviço entra em conflito com seus interesses pessoais. Se ele não sabe quando e onde será testado, isso não significa que o teste seja injusto. Cabe a ele usar sua inteligência nessas e em outras ocasiões e consultar os princípios que assumiu sempre que ocorrerem dúvidas ou dificuldades. Esses testes serão, às vezes, bastante evidentes e, portanto, comparativamente fáceis, mas outros serão mais sutis e mais velados e, portanto, mais difíceis. No entanto, todos os testes têm o mesmo objetivo — afastá-lo do caminho para a verdade. Se ele mantiver isso claro na mente, será mais fácil compreendê-los e aqueles que saem com a confiança inabalada a despeito das oposições encontradas receberão sua recompensa. Quando o período do noviciado termina — e sua duração não pode ser fixada porque varia de indivíduo para individuo —, os que ainda seguem o instrutor sem hesitações e restrições perceberão que o intervalo entre noviciado e aceitação é muito mais curto do que para aqueles em quem as dúvidas e hesitações perduram.


Paul Brunton
A Busca



...Profetas Maiores

" Muitos escritos falaciosos, nascidos da emoção, e a crença resultante deles prevalecem nos círculos místicos orientais e ocidentais. Deve-se colocar a questão: se um mestre morto é tão bom ou — como um ashram do sul da índia afirma agora — até melhor que um vivo, por que os mestres dão-se ao trabalho de reencarnar se podem exercer sua influência ou dar seu treinamento com a mesma eficácia ficando onde estão? Essa questão se aplica não apenas a instrutores menores, de pequenos grupos e menos conhecidos, mas também a profetas maiores como Buda e Jesus.

E aí que surgem parte da confusão e muito da ilusão. As pessoas geralmente são levadas pela sociedade, incluindo seus pais, a adotar e seguir um desses Profetas maiores. Isso acontece, até certo ponto, por causa da crença de que ainda mantêm contato com elas lá de um mundo divino, até certo ponto por causa da aceitação incontestada de sua revelação, e até certo ponto por causa da necessidade social de se pertencer à irmandade de uma igreja organizada. A revelação e a igreja sobrevivem à morte do profeta, e assim permanecem disponíveis para ajudar os seguidores nascidos em séculos posteriores. Mas o veículo por meio do qual ele foi capaz de comunicar-se diretamente, o intelecto e o corpo — ou seja, o ego —, cessou de existir. Não há mais possibilidade dessa comunicação. Quando parece ocorrer, a imagem mental do profeta foi assumida pelo Eu Superior do devoto para satisfazer sua exigência e necessidade. É obvia a utilidade de um mestre vivo para os que não tem essa experiência ou para os que não estão ligados a um mestre morto. "

...Ramana Maharshi

" Está escrito nos textos hindus que vivendo em companhia de um guru, de um santo ou de um sábio adquire-se certa medida de sua iluminação, santidade ou sabedoria. Só uma excepcional experiência pessoal ou um longo estudo comparativo dos registros pode dizer o quanto essa medida pode variar, o quanto pode ser pequena ou grande. Lado a lado com esse texto, para ampliá-lo ou corrigi-lo, deve ser relatado, para que se reflita bastante sobre ele, um pequeno incidente que uma vez observei no sul da índia e cujo principal personagem era um jovem e fervoroso monge, Swami Dandapani. Tinha vivido por cinco anos, com alguns intervalos, como assistente num ashram e era um devoto seguidor de Ramana Maharshi. Um dia foi expulso, e ordenaram-lhe que saísse em vinte e quatro horas. À noite, quando todos tinham ido dormir, ele foi procurar seu guru para informá-lo da expulsão e dizer-lhe adeus. Depois chorou. O Maharshi fê-lo parar: "Não seja tolo! Você deveria saber que este Sat-sang [companhia pessoal num ashram] é apenas para iniciantes. Quando alguém avança a determinado estágio, é melhor ir embora para um avanço real e maior. Porque então ele é obrigado a procurar e a encontrar o guru interior, dentro da mente e do coração. Até mesmo os passarinhos têm que ir embora do ninho de seus pais quando lhes crescem as asas: não podem ficar para sempre no ninho. Assim também os discípulos têm que praticar longe do ashram o que aprenderam aqui, encontrar lá a paz que encontraram aqui." Acompanhei o resto da história do Swami, pois ele era um bom amigo. Anos depois, ele, por sua vez, tornou-se um guru, conquistou muitos discípulos e estabeleceu-se em sua vila natal, em seu próprio ashram. Observei, a distância, que alguns parecem não conseguir nada, enquanto outros conseguem muito num Sat-sang. Venha essa conquista de uma espécie de osmose, da instrução ou da discussão ou, mais provavelmente, de uma combinação das três, a necessidade de olhar para dentro de si mesmo, trabalhar consigo mesmo e depender de si mesmo não pode ser evitada."


Paul Brunton
A Busca


O Manto de um Instrutor...

No Ocidente moderno não é necessário seguir o costume oriental de viver com o Instrutor ou próximo a ele. Entretanto, é aconselhável tentar obter um encontro com ele, mesmo que somente por alguns minutos. Quando isso for impossível, uma alternativa é estabelecer uma correspondência escrita com ele — e manto* sua fotografia num local consagrado, onde se possa vê-la frequentemente e assim ser lembrado muitas vezes por dia da necessidade de trabalhar continuamente na melhora de si mesmo e do próprio caráter.

Se ainda está vivo, a ajuda pessoal de um mestre é certamente valiosa. Se não, seu espírito está distante demais do mundo físico para ser útil ao aspirante comum, a não ser de maneira genérica e impessoal. Sua influência é então transmitida pelos escritos que legou, pelas formas-pensamento que deixou na atmosfera mental durante a vida, e pelos poucos discípulos mais próximos dele, no sentido interior. Caso contrário, só um Yogi avançado, capaz de, pela meditação, elevar sua consciência ao mesmo plano em que se encontra a do mestre poderia entrar em contato com ele, É tão necessário para seus discípulos que ele os deixe privados de sua orientação e do consolo de sua presença quanto antes foi necessário que tivessem essas coisas, quando ele ainda estava na terra. Afinal, é seu próprio Eu Superior que estão buscando. Devem começar a procurá-lo exatamente onde está — no interior de si mesmos e não em outra pessoa. Chega então o momento, se é para continuarem a crescer, em que devem parar de depender da luz e força do mestre e começar a depender de sua própria luz e força. A hora dessa separação está indicada em seus destinos pela inteligência infinita, que tem razões suficientes para fazê-la ocorrer nem mais cedo nem mais tarde. Se eles devem, daí em diante, lutar para conseguir contato direto com o Infinito e não mais depender do estímulo de um intermediário, isso significa que estão no estágio de progredir mais dessa maneira, ainda que suas emoções pessoais argumentem em contrário.


Paul Brunton
A Busca


Os Santos vivem em...

" É tolice procurar santidade geograficamente ou homens santos em lugares particulares. 

Descobri que um homem pode viver no Himalaia e ser um canalha e outro numa favela de Bowery e ser um santo. 

Onde quer que vivam, os homens sempre carregam consigo seus pensamentos e o seu eu/A Alma, que é o objeto de nossa busca, está em nosso interior, O Mestre, que nos deve guiar em nossa busca, aparecerá sempre que estivermos prontos para ele e onde quer que vivamos — ou então seremos levados até ele. 

Há homens no Ocidente, na Europa e América, que não são menos sábios e nobres ao que qualquer homem do Tibete e da índia. Se não os encontramos, "a culpa, Querido Brutus, está... em nós mesmos", em primeiro lugar em nossa falta de mérito e em segundo lugar em nossa incapacidade de reconhecermos o que está sob a superfície. "



Paul Brunton
A Busca

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

PB - em português e espanhol

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Busque a Busca dentro de si!

" Fiquei enfeitiçado, por muitos anos, pelo glamour espiritual da Índia. A necessidade de ir lá tornou-se muito forte e, no final, rendi-me a ela. Aprendi o que o turista predador nunca aprende; vi o que o observador profissional raramente vê; porque tanto ao turista quanto ao jornalista falta a aspiração, a paciência e o preparo exigidos para procurar e descobrir o que é realmente o melhor em qualquer país oriental.

Nesse país, descobri muita coisa de grande interesse e do maior valor, mas não encontrei a realização de minha Busca. Ela não veio a mim até que eu tivesse retornado ao outro hemisfério. Na verdade, a Visão Cósmica, que revelou a Presença da Inteligência Infinita através da vida, através do universo e através da história, que me explicou muitas das Leis Superiores, veio a mim, incongruentemente, quando eu estava sentado num quarto de hotel em Chicago. Com esse humilde insight, a necessidade de ir à índia desapareceu. E então percebi que isso era, realmente, um complexo antigo – uma espécie de autossugestão – herdado de meu distante passado reencarnatório. Descobri que, se tivesse permanecido fiel à direção interior que tinha originalmente percorrido, nunca teria precisado ir à Índia, nem aos outros países asiáticos onde procurei pela Verdade. Aquilo de que precisava podia muito bem ser encontrado dentro de mim mesmo. Mas, eu aceitara as sugestões do meu passado, assim como dos lábios e escritos de outra pessoas. E, assim, desviei-me do caminho interior. O atalho, que as viagens para a Ásia ofereciam, revelou-se um caminho longo, pois vaguei pelas estradas de outros homens e, no final, tive que voltar, como todos nós, à minha própria estrada. Não havia nenhum outro lugar para ir, e minha Busca terminou ali.

Os outros caminhos não foram inúteis, naturalmente, mas perderam o valor no momento em que se transformaram em substitutos para o caminho interior, que é singular e único porque cada um de nós é singular. Cada um tem sua experiência especial de vida, faz seus próprios contatos com outras pessoas, e defronta-se com seu destino particular. Ao reagir e lidar com tudo o indivíduo está, realmente, reagindo e lidando consigo mesmo. Ele mostra turbulência ou tenta dominá-la; ele se perde na atividade do dia ou salva-se dela em meia hora de retiro. Ele deixa que pensamentos ou sentimentos negativos permaneçam em seu coração, ou tenta retirá-los de lá. Ele procura suas relações ou ter uma atitude mais gentil em relação às pessoas que encontra no seu dia-a-dia, ou não consegue perceber a razão de elas — e não pessoas totalmente diferentes — terem sido colocadas em seu caminho pela Inteligência Infinita. Seu ambiente é, realmente, um local de teste e uma escola de disciplina.

E então retorno à afirmação de que ir à Índia, ou ir a qualquer outro lugar em busca de iluminação espiritual não é tão importante quanto ir ao interior de nós mesmos, descobrir Quem somos. Além disso, se alguns foram para a índia à procura de um Mestre encarnado, outros foram para a Palestina à procura de um mestre desencarnado. Lá, demoraram-se em lugares santos e monumentos sagrados, no chão histórico em que Jesus andou e falou. Mas, ambos os tipos de tentativa trazem algum fruto apenas quando levam à Busca Interior, ao Mestre que habita o interior, num caso, e ao Cristo que habita o interior, em outro. Mas o indivíduo poderia ter iniciado essa busca final de qualquer forma, sem sair de casa. Na verdade, Ramana Maharshi disse uma vez em voz alta: "Se soubesse que era tão fácil, nunca teria saído de casa." "


Paul Brunton
A Busca





' ...A Palavra está próxima de vós, está em vosso coração '

" (...) A questão de até onde ele está preparado para viajar nessa busca não tem referências geográficas. É uma referência metafórica, relacionada apenas ao tempo que ele pode dispender cada dia para os exercícios, estudos e devoções, assim como aos ideais morais que pode estabelecer para si mesmo.

Não se pede a ele mais do que sente que pode humanamente dar sob suas circunstâncias e responsabilidades presentes. Ir à Índia ou a qualquer outro lugar é desnecessário e até mesmo desaconselhável. Um dos maiores místicos que conheci passou todos os dias de sua vida em Londres, onde tinha um negócio para administrar. Fez o seu trabalho e teve muito êxito, permaneceu fiel a seus ideais e tornou-se espiritualmente "consciente". Era, de fato, um adepto da meditação, mas nunca pôs os pés no Oriente. Aquele que busca não precisa realmente ir muito longe. 

Há quatrocentos anos, Sebastian Franck, um alemão que chegou à plena realização espiritual, escreveu: " Não precisamos atravessar os mares para encontrá-lo. A Palavra está próxima de vós, está em vosso coração. "


Paul Brunton
A Busca


Cada um é singular

"Todos os seres humanos diferem em alguns aspectos, na mente assim como no corpo. Cada um é singular. Cada um precisa descobrir o seu caminho individual. Porque em cada aspirante existe certo atributo, direção, tendência, capacidade ou dom, e ao longo dessa linha a possibilidade de seu desenvolvimento espiritual pode abrir-se com mais facilidade, rapidez e liberdade do que ao longo de qualquer outra. 

É nessa linha que ele deve concentrar seus esforços, para tirar vantagem daquilo que a Natureza lhe deu. Mas detectar e reconhecer qual é sua melhor potencialidade requer investigação e procura, não apenas com a ajuda de suas faculdades comuns, mas especialmente com a ajuda das faculdades mais sensíveis e intuitivas. Essa descoberta não será feita de uma só vez, mas só depois de muito tatear e tentar sentir o caminho. 

É necessário tempo, porque essa possibilidade oculta não existe no nível superficial. A terra que envolve essa pedra preciosa esconde o seu paradeiro. Se ele estiver com pressa e insistir numa descoberta prematura em vez de continuar a busca, pode identificar a pedra errada. Quando encontrar a gema, que fique com ela pelo maior tempo possível."


Paul Brunton
A Busca

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

A confissão ao Eu Superior

A confissão é uma boa prática quando se trata de um sincero e honesto reconhecimento de que certas ações do passado foram erradas, quer tenham sido meramente imprudentes, quer totalmente malévolas; de que elas nunca deveriam ter sido praticadas; e de que se você se vir novamente diante de situações semelhantes, se esforçará ao máximo para não cometê-las. 

O remorso, a penitência e o desejo de fazer correções são os sentimentos que devem acompanhar o reconhecimento intelectual para que ele tenha um valor efetivo no futuro. De acordo com o costume, a confissão pode ser feita de três maneiras. Existe a prática de certas religiões, que impõem a presença de um padre ordenado. Esse procedimento é útil principalmente para os adeptos dessas religiões que conseguem ter fé tanto nos dogmas quanto nos padres. No entanto, quer a confissão à outra pessoa seja feita em uma atmosfera religiosa, quer não, ela só possui valor se essa pessoa tiver efetivamente uma condição espiritual superior à do pecador e não se ela estiver meramente afirmando ou fingindo tê-la. Se essa garantia estiver presente, a confissão libera a tensão de pecados secretamente guardados.

Em segundo lugar, existe a prática de alguns cultos e seitas que impõem a presença de um grupo. Esse procedimento também só é proveitoso para os que acreditam nele, e mesmo assim de uma forma muito limitada. Ele oferece alívio emocional, mas degenera com muita facilidade em um exibicionismo egoísta. Esta prática é certamente bem menos desejável do que a primeira.

A confissão particular, feita no isolamento e dirigida ao Eu Superior, é a terceira maneira. Se o pecador experimenta a sensação de estar interiormente purificado e não mostra a seguir a tendência a repetir o pecado, ele poderá saber que sua confissão foi eficaz e que a Graça do Eu Superior chegou até ele em resposta ao ato. No entanto, é errado acreditar que o simples ato de confessar é tudo o que é necessário. Isso pode acontecer, mas o mais comum é que essa resposta só ocorra como o clímax de uma série de atos desse tipo. E também um erro acreditar que uma confissão possa ter algum valor se o ego do pecador não for profundamente humilhado e passar a sentir não apenas sua insensatez e indignidade, mas também sua dependência do poder superior para poder alcançar a sabedoria e o autodomínio.


Paul Brunton
O Que É O Karma?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Um Caminho puro rumo ao infinito

A confusão de dogmas religiosos e a interpretação errônea das experiências pessoais produziram a contraditória massa de doutrinas que, no conjunto, são chamadas de "místicas".

À inabilidade para adotar uma atitude estritamente científica para com essa matéria, se deve à ofuscação do primeiro objetivo da meditação. Idealizaram-se várias "sendas" para lograr este objetivo, porém uma multidão de mentalidades tacanhas tomou equivocadamente a senda pela meta.

Meditação, Ioga, Misticismo, etc, têm apenas um propósito fundamental, não obstante o que possam dizer os expoentes sectários ou os aderentes equivocados.  Esse propósito visa como que pôr em curto circuito as diversas correntes pensantes, de sorte que se possa perceber a realidade que o pensamento obscurece.

Em outras palavras, práticas religiosas avançadas, métodos de meditação, culto extático de santos, etc, são todos meios de auxiliar o homem a atenuar a corrente de pensamentos, até finalmente fazê-la parar por completo. As mentalidades sectárias se oporão, sem dúvida, a isto, mas sua negação corresponde simplesmente a uma negação dos verdadeiros fatos.

Só as almas maduras e perspicazes podem perceber esta verdade. Tão-só estas, pelo esclarecimento de sua compreensão sobre este assunto, podem escapar do nevoeiro espiritual em que a maioria dos estudantes e devotos se movem habitualmente. Tão-só estas sabem que a senda religiosa que o indivíduo siga tem menos a ver com o seu atingimento, do que o método mecânico de controle da mente que ele inconscientemente pratica.  Tão-só estas sabem que a ausência de qualquer credo em alguém não o torna menos suscetível de êxito do que o seu mais religioso irmão.


Paul Brunton
O Caminho Secreto


O Karma das Nações

Se quisermos entender o que vem acontecendo no mundo, precisamos primeiro entender que o karma das nações e dos continentes é a causa oculta do sofrimento do planeta.

Uma nação surge da soma de todos os indivíduos que nela habitam. Você é uma das pessoas cujo pensamento e conduta ajudarão a formar o karma de sua nação. O tema do destino coletivo é muito complicado porque se compõe de um número muito maior de elementos do que o do destino individual. A pessoa que nasce em uma determinada nação precisa compartilhar tanto o destino geral dessa nação quanto o seu karma individual. Se, entretanto, ela decidir retirar-se desse país por vontade própria e migrar para outro, passará a compartilhar um novo destino coletivo que deverá, sem dúvida, modificar o seu próprio e nele irá colocar sua marca, quer melhorando-o, por oferecer a essa pessoa mais oportunidades, quer tornando-o pior.

Existe um karma nacional coletivo que gradualmente se desenvolve e depois se materializa. Quando um grupo de várias pessoas vive e trabalha junto, quer em um país, quer em uma cidade, elas pouco a pouco criam para si mesmas um destino nacional ou municipal que terão de assumir. As vezes o resultado é bom, outras é mau, mas em geral é uma mistura de ambos. Por conseguinte, encontramos na história coisas tais como o destino das nações e das raças.



Paul Brunton
O Que É o Karma?

Liberte-se pela Paz!

Muitas pessoas que afirmam ter entregue seus assuntos financeiros a um poder superior vêem as
coisas indo de mal a pior. Esse ponto deve ser esclarecido. Não há verdadeira entrega, mas apenas auto-ilusão, quando ela é feita antes que a razão, a vontade e a autoconfiança tenham sido corretamente utilizadas.

Não existe uma forma fácil de escapar das dificuldades, sejam financeiras ou não, pela simples afirmação verbal da entrega. Essa prática é adquirida ao se lidar com elas, não rugindo delas em nome da entrega. 
A verdadeira rendição só pode ser feita quando a pessoa é suficientemente madura. A vida é uma luta para todos; somente os sábios lutam sem deixar que o ego interfira, mas a luta é a mesma. E eles têm de lutar porque o elemento adverso da natureza está sempre em guerra, destruindo onde eles constroem, estimulando a discórdia onde eles levam a paz e escravizando mentes que eles buscam libertar.



Paul Brunton
Meditações Para Pessoas Que Decidem