domingo, 18 de novembro de 2018

WhatsApp - Paul Brunton

Estudantes de PB!

Nós possuímos agora dois grupos de estudo via WhatsApp - um em idioma português e outro em inglês!

Os grupos têm como objetivo, transmitir diariamente os ensinamentos e instruções de Paul Brunton, materiais, fotos e etc, e para compartilharmos experiências.

Quem deseja participar, envie um e-mail (soradasan@gmail.com) com o título:

"Entrar no Grupo de WhatsApp - portugues"
       ou
"Entrar no Grupo de WhatsApp - ingles"

E envie junto o número de seu celular para que possamos adicioná-lo.
Em um dia você receberá confirmação e ingresso no grupo.

Você é muito bem-vindo!

Em União ao Supremo!
Admin.
* * *

PB students!


We now have two study groups via WhatsApp - one in Portuguese and one in English!

The groups aim transmit daily the teachings and instructions of Paul Brunton, materials, photos and etc, and to share experiences.

Who wants to participate send an email (soradasan@gmail.com) with the title:


"Enter WhatsApp group - English"
       or
"Enter WhatsApp Group - Portuguese"



Please submit your mobile number so we can add it. 
In one day you will receive confirmation and will be in the group.

You're most welcome!

In Union to the Supreme!
Admin.


* * *

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

... Mãe Divina

Após haver percorrido toda a extensão dessa milenar terra do Egito e presenciado diversas coisas curiosas, regressei aos meus bons amigos que permaneciam em eterna meditação, na orla do deserto da Líbia.
" Dize-me, ó sábia Esfinge! — exclamei — poderia eu descansar meus pés fatigados, que parecem haver caminhado bastante pelos poeirentos caminhos da vida? "

E a Esfinge respondeu:

" Pergunta àquela de quem sou filha única, àquela cujo ventre me deu à luz para sofrer pesares e mágoas do mundo, porque eu também sou um ser humano e aquela é minha mãe, a Terra. Pergunta a ela! "

Caminhei um pouco mais e cheguei à Grande Pirâmide. Penetrei na escura passagem e desci, e arrastando-me às profundezas das entranhas da terra, cheguei àquela mesma cova tétrica. E pronunciando a sagrada palavra de passe, saudei-a, segundo o ensinamento que aprendi no capítulo sessenta e quatro, versículo sétimo do livro mais antigo do Egito.

" Salve! Ó Senhor do Santuário Que permaneces no Seio da Terra!" 

Nisto me sentei no chão rochoso e mergulhei minha mente na sua original quietude, paciente, esperando a resposta.

Quando, afinal, apareceu o Ente Poderoso, Mestre da Divina Morada, roguei-Lhe que me guiasse até onde estava Ela, a "Mestra do Templo Oculto", "A Alma Vivente da Terra".

O Mestre cedeu à minha súplica fervorosa e me levou pela porta secreta que estava oculta no Templo. A Divina Mãe recebeu-me da maneira mais graciosa; entretanto, permaneceu sentada, distante, e intimou-me a fazer meu pedido.
Repeti-lhe a pergunta:

"Dize-me, ó Mestra do Templo Oculto! Podes dar descanso aos meus pés fatigados, que parecem ter andado muito pelos caminhos poeirentos da vida?"

Olhou-me longa e gravemente antes de me responder.

"Há sete caminhos abertos ante ti, ó Buscador! Sete degraus aguardam para serem galgados pelo homem que deseje entrar no meu reino secreto. Sete lições devem ser aprendidas pelos seres humanos que anseiem ver minha face desvelada.
Enquanto não tiveres percorrido todos estes caminhos, subido todos estes degraus e aprendido de cor todas estas lições, não poderás ter descanso para teus pés nem paz para tua alma."

Sua voz meiga, que parecia vir de miríades de éons, ressoou pela Grande Sala do Templo.

— Quais são esses caminhos, ó Mãe Divina?

Respondeu-me:

"Um é o Caminho que leva a Muitas Moradas, outro, a Via que conduz ao Deserto; terceiro, a Rua onde Brotam Flores Vermelhas; quarto, a Subida para as Altas Montanhas; quinto, a Descida nas Cavernas Obscuras; sexto, o Caminho do Eterno Errar, e o sétimo é a Via de Quietude Silenciosa."

Perguntei:

— Quais são esses sete degraus?

"O primeiro — disse Ela — é das Lágrimas; o segundo, a Oração; o terceiro, o de Trabalho; o quarto, o Repouso; o quinto, o da Morte; o sexto, da Vida, e o último é da Entrega."

— E as sete lições que deve aprender o homem,  ó Mãe! Quais são?

"O Prazer — respondeu — é a primeira e a mais fácil; a Dor é a segunda; o ódio a terceira; a Ilusão a quarta; a Verdade a quinta; o Amor a sexta, e a Paz aprende-se por último."

Ponderei a respeito do que ouvi.

A Mestra do Templo Oculto então se levantou e retirou-se da Grande Sala, e vi nas suas costas uma grande estrela de ouro, e dentro da estrela, uma coroa resplandecente e duas meias-luas de prata. Embaixo da coroa havia uma cruz branca, e ao redor da cruz, sete rosas vermelhas.
Na parede do fundo de um azul carregado vi aparecer, de súbito, muitas palavras brilhando como jóias. E foi-me ordenado ler só as últimas dessas palavras.
Eram estas:

... pois o Egito é a imagem das coisas dos céus e, em verdade, um templo do mundo inteiro.
E quando o Egito testemunhar estas coisas, então, o Senhor e Pai, Deus Supremo, Primeiro em Poder e Governador do Mundo, escrutará os corações e os atos dos homens e, por Sua vontade, poderá devolver-lhes sua antiga magnificência, a fim de que o mundo possa aparecer realmente como a obra adorável de Suas mãos."


Paul Brunton
O Egito Secreto


Apego espiritual...

Tenho um amor emersoniano pela liberdade espiritual e independência intelectual, um anseio krishnamurtiano de permanecer afastado de instituições, organizações e grupos que estreitam, limitam e restringem.

Já vi a causa da Verdade sofrer tantas perdas por causa dessas constrições da mente e do coração, vi tanto de seu bem arruinado por esse mal, que me encolho diante da ideia de me tornar rotulado como discípulo de algum homem ou membro de algum ashram, sociedade ou igreja.

Se esse homem descobriu o Correto, porque não deixar que sua expressão natural — na literatura, na arte ou na vida — seja suficiente? 

Por que criar um mito em torno dele, obscurecer os outros e falsificar a meta? Por que não deixar tudo como é?

Paul Brunton
A Busca

Alterações nos textos e ensinamentos religiosos...

O misticismo asiático quase foi sufocado sob o peso das tradições monásticas que se acumularam à sua volta. A consequência é que o estudante de hoje, sem espírito de pesquisa crítica, não vai saber onde começa a filosofia e onde termina o monaquismo. 

Se, atualmente, estudarmos os textos disponíveis sem a orientação de um instrutor competente, certamente cairemos em muitos erros. Alguns desses erros meramente contribuem para uma compreensão superficial dos textos e não causam, realmente, nenhum mal, mas um é crucial e pode causar grande mal. Porque é preciso lembrar que, antes de a arte da escrita ser largamente usada, quase todos os textos antigos eram transmitidos apenas oralmente, de geração a geração. Isso pressupõe maravilhosos feitos de memória que devemos admirar, mas pressupõe também a possibilidade de alterações conscientes ou inconscientes nos próprios textos, contra as quais devemos precaver-nos. É preciso lembrar, também, que os textos ficavam, geralmente, em posse de uma classe segregada de homens, que eram padres, ou monges, ou ambas as coisas. É bem humano que novas passagens que louvavam sua própria classe e idealizavam seu modo de vida fossem lenta e sub-repticiamente introduzidas nesses textos. Pode-se dizer que um homem honesto não faria isso, mas pode-se replicar que um homem honesto mas bem-intencionado pode fazê-lo. Qualquer um que conheça realmente o Oriente sabe que isso ocorreu, de forma comprovável, através de sua história, até mesmo em nossa era. 
Mas, tendo ou não ocorrido isso, uma coisa era psicologicamente inevitável: a interpretação de passagens, de frases ou de simples palavras, de acordo com os complexos inconscientes que governavam as mentes e controlavam o caráter daqueles que preservavam e transmitiam os textos. 

É perfeitamente natural, portanto, esperar que as práticas características e interesses monásticos e sacerdotais fossem idealizados, enquanto as práticas, características e interesses de todas as outras classes fossem diminuídas e criticadas. Descobrimos que esse é, na verdade, o caso. A consequência inevitável é que palavras que tinham um sentido quando foram proferidas pelo autor original receberam, pouco a pouco, um sentido modificado ou totalmente diferente ao passarem pelas bocas e canetas de monges e padres. Nosso estudo semântico, por si só, indica essa probabilidade histórica. O resultado para nós, que vivemos hoje, é um pouco infeliz. Porque aprendemos nesse texto que, para vivermos uma vida superior, para empreendermos a busca do Eu Superior, devemos deixar de lado nossos deveres, descartar nossas responsabilidades e negar nossa natureza física. Devemos desencorajar o interesse pelo aperfeiçoamento deste mundo ou pela melhoria do destino miserável da humanidade. Devemos fugir da sociedade e esconder-nos em retiros com outros escapistas. Devemos considerar o mundo como uma armadilha astuciosamente inventada por Satã para nossa ruína, e o corpo como uma tumba cavada para nossa alma divina. 
Quem se recusa a aceitar o caminho delineado pela interferência editorial dos monges e sacerdotes é humilhado, pois atiram-lhe no rosto as próprias palavras e citações, nascidas dessa interferência, como prova de seu erro! A busca divina, originalmente destinada a ser estudada e praticada pela humanidade em geral — seja qual for a posição, classe ou profissão no mundo — transformou-se agora em algo a ser estudado e praticado apenas por monges e ascetas. Homens obcecados por um complexo persistente que os levou a preocupações exageradas e ansiosas em torno da vida corpórea em detrimento da vida mental; homens que não conseguiram perceber que o campo de batalha real da vida humana é interior e não exterior; homens que não puderam compreender a unidade de Espírito e matéria: homens, em suma, que não chegaram a perceber que eram fundamentalmente virtuosos ou pecadores na medida em que seus pensamentos eram virtuosos ou pecadores — esses são, atualmente, os árbitros que julgam como nós, pessoas do século vinte, devemos viver num mundo cujas circunstâncias e sistemas estão além de sua estreita imaginação. A busca, na verdade, transformou-se em algo absolutamente distante de nós, algo somente a ser discutido na hora do chá, pois não pode ser efetuada Essa situação é inaceitável para o estudante de filosofia. Melhor o ostracismo, o insulto, a calúnia e a falta de compreensão do que isso.

Paul Brunton
A Busca


Caminho Solitário...

"É questionável que um aspirante deva filiar-se a um grupo específico ou ligar-se a um instrutor. 

Isso ajuda muitos iniciantes, e geralmente a maioria deles faz isso de algum modo. Mas eles são do tipo comum. Quando alguém começa a fazer um avanço real, surge a necessidade de um caminho individual, que não seja obstruído pelos outros, que não seja desviado por suas sugestões. 

O trabalho interior deve então prosseguir com a orientação de sua própria percepção intuitiva, juntamente com os indicadores fornecidos pelas circunstâncias exteriores na medida em que aparecem."

Paul Brunton
A Busca

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Paul Brunton Fala Aos Buscadores


Esta conversa transcrita de Paul Brunton (1898 - 1981) foi gravada em cassete (áudio) em meados de 1970 por Anthony e Ella May Damiani, durante uma visita de PB em sua casa na Suíça. Anthony, ao qual PB se refere como  "Tony", foi aluno em toda a vida de PB e fundador do Wisdom’s Goldenrod Center for Philosophic Studies nos Estados Unidos, e PB fez esta gravação para os alunos de Anthony, a seu pedido.

Para ouvir a gravação original, clique abaixo:

PB On Meditation Cleaned
***

Transcrição em português:

Paul Brunton fala aos buscadores...

- Tony me pediu para falar algumas palavras para aqueles de vocês que leram alguns de meus livros. Se eu concordar, como o faço, é somente sob a condição de que eu não seja tomado como um guru. Meu trabalho é escrever sobre ideias que eu tenho reunido no decorrer de uma vida de estudos das literaturas mundiais, particularmente a literatura Asiática e sobre o que conversei com os próprios maestros. Se algum de vocês achar que algumas dessas ideias são úteis a vocês, como elas certamente foram úteis a mim, que sejam bem-vindo à elas. Mas eu não tenho nenhuma pretensão a mais, além desta comunicação e, também, não tenho discípulos. Eu vivo retirado e em semi-solidão.

- Há um perigo nesses estudos que é o de você poder enfatizar excessivamente o elemento intelectual, considerá-los como outro ramo do trabalho acadêmico. Isso seria um erro. Na tentativa de entender esses livros, é importante evitar uma ênfase tão errada e, assegurar um equilíbrio adequado. Este deve ser o equilíbrio entre os interesses do coração e os interesses da mente. Isso quer dizer, os sentimentos devem ser considerados tanto quanto o intelecto racional. É apenas estabelecendo um bom equilíbrio entre os dois que você poderá chegar ao ponto onde a intuição poderá ser despertada – a intuição que o levará à verdade mais elevada.

- É claro, você provavelmente já sabe, por agora, que outra coisa importante – a mais importante – para o processo de despertar esse tipo de intuição é a prática da meditação.  Esta prática tem sido muito mal interpretada e, mesmo no Oriente, há todo tipo de conceitos errados e superstições sobre isso. No entanto, a essência disso é muito simples: todos vocês são vítimas de uma máquina, que está produzindo pensamentos, continuamente, e vocês perderam o controle da máquina. A meditação é um processo usado para recuperar esse controle. E então, o maior obstáculo em seu caminho pode ser removido. Esses pensamentos criam uma tela entre você e o seu eu interior. E é nesse eu interior que reside a melhor parte de seu eu – o mais alto eu – o Eu Superior.

- Agora, todos os diferentes sistemas de Yoga que você ouviu falar são, principalmente, dispositivos para trazer a mente à concentração e de voltar essa concentração para dentro, para que você seja capaz de retirar a atenção do mundo exterior e aprender a ouvir internamente. Este é o princípio básico de todas as Yogas. Quando a mente está suficientemente aquietada, então, e somente então, pode esta parte superior de sua natureza começar a tornar-se palpável para você.

- Mas é necessário salientar que a meditação, porque no fim, trará tanto benefício, também exigirá que você dê muito de si. O que você tem que dar é tempo, prática e, mais do que qualquer outra coisa, paciência. Sem paciência, você não poderá aprender a meditar. Não há tempo fixo em que se possa aprender, porque cada um de nós é um indivíduo e com alguns, o ritmo será mais rápido; com outros, será mais lento. Também é uma questão das circunstâncias em que você se encontra no momento – elas irão dificultar ou ajudar a sua aprendizagem na meditação. Mas paciência é necessária. Muitas pessoas, eu tenho observado, desanimam em seus esforços iniciais, porque não veem nenhum progresso chegando. E isso é um erro, desistir prematuramente. Mas com paciência, haverá suas recompensas, no final. Parte dessa recompensa será a nova inspiração que você receberá - inspiração para qualquer trabalho que você fizer e, especialmente para aqueles de vocês que estão conectados com as artes, inspiração em questões intelectuais e inspiração para lidar com a sua vida diária. Certamente, para o artista, a técnica é apenas uma parte de sua prática. Ele também necessita de inspiração e, a meditação é uma das formas de receber inspiração.

- Um outro tema que constantemente é levantado é a necessidade de um guru. É claro, um instrutor em qualquer assunto é uma ajuda para os alunos nesse assunto. Mas permanece o fato de que há poucos instrutores competentes na busca da verdade, os quais realizaram em si mesmos a verdade. Não é difícil encontrar aqueles que promoveram movimentos, fundaram sociedades, criaram organizações nessa mesma linha – mas, sua confiabilidade e competência é outra questão. Geralmente, eles têm algo para oferecer, mas geralmente está misturado com opiniões e interesses que podem não ser tão desejáveis.

- Há finalmente dois outros pontos. O primeiro é: trazer para esta busca um sentimento de adoração, porque afinal de contas, vocês estão buscando uma comunhão com um poder superior, com algo acima, além e transcendente de si mesmos. Você não pode abordá-lo como o faria ao se aproximar de seu professor universitário. Há algo sagrado e santo em torno do próprio conceito e você deve tentar despertar essa atitude. É como adentrar em uma igreja que você realmente respeita.

- E, o último ponto é sobre o mundo externo a você, ao seu redor, o mundo das outras pessoas, os quais não estão muito interessados na direção que você tomou e podem até ser hostis a ela, podendo tentar desencorajá-lo ou se opor a você. Isto é compreensível. A história passada deles, fez deles o que eles são, assim como sua história passada fez de você o buscador que você é. Sugiro, portanto, que você não tente fazer da sua busca pela verdade um caso notável. Afinal, é algo que realmente não diz respeito aos outros, exceto indiretamente, através de suas consequências. É algo que diz respeito apenas a você e ao seu eu superior. Portanto, não demonstre publicamente, nem faça barulho, nem faça propaganda. Guarde isso para si mesmo. Só quando alguém tiver grandes dúvidas e estiver iniciando na busca, e se ela se aproximar de você, então você poderá compartir o assunto proveitosamente. E mesmo assim, não se deve compartir mais do que o necessário.

- As últimas palavras de Buda antes de morrer foram: "seja uma lâmpada para vós". Ele também disse [indecifrável].

- Bem, adeus, e que você possa ter paz e tranquilidade, a qual já reside profundamente dentro de você, coberta pelo seu ego e seus pensamentos. Faça que Aquilo se revele a você.

- Paz, paz, paz...

***


segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Download dos livros de Paul Brunton

Queridos visitantes,

Deixo disponível a vocês para download, gratuitamente, os livros de Paul Brunton em português, espanhol e inglês, com a série completa dos Notebooks em inglês:

Clique nesta página para acessá-los:

Download. PB

 
Em Deus Sempre!

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A Individualidade Superior...

O ensinamento sobre uma individualidade mais elevada precisa ser compreendido corretamente. Não que exista uma individualidade separada para cada corpo físico. A consciência que normalmente se identifica com o corpo — isto é, com o ego — quando se volta para o alto com a mais elevada devoção, ou para o Íntimo na mais profunda meditação, chega ao ponto de contato com o ser universal, a Mente-do-Mundo. Esse ponto é o seu próprio eu mais elevado, o representante divino dentro de seu próprio ser. Mas se a devoção ou a meditação forem levadas ainda mais longe, à maior extensão possível de consciência, o próprio ponto é absorvido na sua fonte. Nesse momento, o homem é a sua própria fonte. Mas "homem algum verá Minha face e viverá!" Ele retorna finalmente à consciência terrestre, cujas exigências deve seguir. Entretanto, o conhecimento daquilo que ele é em essência permanece. A presença do representante está sempre lá enquanto isso, sempre percebida. Ela pode ser apropriadamente chamada de sua individualidade superior.


Paul Brunton
Ideias em Perspectiva 

domingo, 12 de agosto de 2018

Abençoe!

Não carregue imediatamente para dentro da sua meditação seus problemas ou tentações, ou os problemas e situações de outras pessoas. Há um momento e lugar apropriados para considerá-los sob uma luz mística ou para apresentá-los a um poder místico. Porém isso não deve acontecer no início da meditação. Pelo contrário, quase no seu final. Todas as meditações conduzidas a partir do ideal filosófico devem terminar com pensamentos nos outros, com a lembrança das suas necessidades espirituais, e com o envio da luz e da graça recebidos para abençoar os indivíduos que precisam dessa ajuda. No início, você deve ter como objetivo esquecer o ego inferior e elevar-se acima dele. Só depois de ter sentido a visita divina, somente perto do final do período da prática, você deve ter como objetivo fazer o Eu Superior ajudar o inferior, ou deve ajudar e abençoar outros eus encarnados. Se, entretanto, você tenta isso prematuramente, se não está disposto a renunciar à vida pessoal, ainda que por alguns minutos, não terá nenhum outro retorno pelo seu esforço, senão os seus próprios pensamentos.


Paul Brunton
Ideias em Perspectivas


quinta-feira, 24 de maio de 2018

O desafio da Filosofia

A teoria da filosofia é adequada e está disponível a todos os que tem inteligência para captá-la, fé para aceitá-la e intuição para reconhecer sua suprema preeminência. A prática da filosofia mais restrita, destina-se àqueles que tenham sido suficientemente preparados por um crescimento interior prévio e pela experiência exterior, a ponto de estarem dispostos a impor a si mesmos os parâmetros éticos superiores, o treino mental e a disciplina emocional da filosofia. Vir despreparado para o esforço individual exigido, inapto para os pesados exercícios intelectuais e meditativos necessários, sem estar pronto para o instrutor ou o ensinamento, é encontrar perplexidade e sair desapontado. Uma tentativa prematura de ingressar na escola da filosofia levará o indivíduo a encontrar dentro de si mesmo a dolorosa revelação dos desalentadores defeitos que têm de ser remediados antes que a tentativa possa tornar-se bem-sucedida.


Paul Brunton
Ideias em Perspectiva

quarta-feira, 23 de maio de 2018

O Um...

O Um por trás dos Muitos não deve ser confundido com o número um que é seguido do dois, do três, e assim por diante. Pelo contrário, ele é o misterioso Zero a partir do qual surgem todas as unidades que formam os numerais múltiplos. 

Se não o chamamos de Zero é somente porque poderia ser confundido com o niilismo total. Se assim fosse, a existência então seria sem sentido e a metafísica seria absurda. O Zero inefável e verdadeiro, assim como o Um suprafísico, é, antes, a realidade de todas as realidades. 

Dele brotam todas as coisas e todas as criaturas; a ele todas irão voltar afinal. Esse vazio é o fundo de cena impenetrável de tudo o que é, foi ou será; único, misterioso e imperecível. Aquele que pode contemplar o interior do misterioso Nada desse vazio e ver que o puro Ser Divino está lá para sempre, esse realmente vê.


Paul Brunton
Ideias em Perspectivas

terça-feira, 22 de maio de 2018

A caça do ego!

Tudo o que fazemos ou dizemos, tudo o que sentimos ou pensamos, no fundo está relacionado com o ego. Vivemos acorrentados ao seu pilar e movemo-nos num círculo. A busca espiritual é realmente uma tentativa de sairmos desse círculo. De outro ponto de vista, é um longo processo de descoberta do que está profundamente escondido pelo nosso ego, com seus desejos, emoções, paixões, argumentos e atividades. Tomando ainda um outro ponto de vista, é um processo que nos dissocia dessas coisas. Mas é improvável que se possa persuadir o ego a, de boa vontade, deixar de exercer o seu domínio. Seus caminhos ilusórios e seus hábitos enganadores podem levar um aspirante à crença de que esteja alcançando um estágio elevado, quando está simplesmente andando num círculo. A forma de sair desse círculo é, ou procurar a fonte do ego, ou, caso isso seja difícil demais, associar-se bem de perto a um verdadeiro mestre e prestar-lhe completa obediência. O ego, sendo finito, não pode produzir um resultado infinito através de seus próprios esforços. Ele engendra seus pensamentos e emite seus desejos, dia após dia. Ambos podem ser comparados com teias de aranha que são renovadas ou ampliadas e que nunca desaparecem por muito tempo dos cantos escuros de um aposento, não importa com que frequência possam ser eliminadas. Enquanto se permitir que a aranha viva ali, elas reaparecerão. Ir ao encalço do ego em seu covil é exatamente como caçar a aranha e removê-la completamente do aposento. Não há meio mais eficiente ou mais rápido de atingir o objetivo do que trazer à luz sua verdadeira fonte, oferecer o ego a essa Fonte, e finalmente, através da senda de afirmações e recolhimento unir-se a ela.


Paul Brunton
O Que É O Karma?


segunda-feira, 21 de maio de 2018

Buda ensinou...


Buda não se dedicou a problemas mais profundos antes de haver entrado na ética prática. Ele ensinou as pessoas a serem boas e a fazerem o bem antes de ensiná-las a se aventurarem dentro da pantanosa lógica do labirinto metafísico. E mesmo depois de terem elas emergido com segurança de um terreno onde tantos se perdem totalmente, ele as trouxe de volta para os valores éticos, embora de tipo bem mais elevado, porque baseado numa total ausência de egoísmo. Pois o amor deve casar-se com o conhecimento, a piedade deve derramar seus cálidos raios sobre o frio intelecto. A iluminação de outros deverá ser o preço de sua própria iluminação. Essas coisas não são facilmente sentidas pelo místico, que frequentemente está por demais absorvido em seus próprios êxtases para perceber as mi¬sérias dos outros, nem pelo metafísico, que frequentemente está tão preso pela sua própria verbosidade à sua lógica dura e rigorosa para compreender que a humanidade não é meramente um substantivo abstrato, mas é composta de indivíduos de carne e osso.


Paul Brunton
O Que É O Karma?

domingo, 20 de maio de 2018

O Eu Superior não transgride as Leis!

O Eu Superior não transgride em nenhum momento a lei das consequências. Se por seus próprios esforços você vier a modificar os efeitos dessa lei em uma determinada situação, ou se o mesmo acontecer pela manifestação da Graça, tudo ainda ocorre de acordo com aquela lei — pois não se deve esquecer que a porção de karma selecionada para uma determinada encarnação não esgota toda a reserva existente no arquivo de uma pessoa. Existe sempre muito mais do que a porção relativa a uma única vida na Terra. O que acontece é que uma parte do bom karma se manifesta ao mesmo tempo que o mau karma, e a natureza desse bom karma e a ocasião em que ele ocorre fazem com que ele neutralize completamente o mau karma, se o resultado a ser alcançado for sua anulação, ou o neutralize parcialmente, se o objetivo final for sua modificação. Assim, a mesma lei continua a agir, mas há ma mudança no resultado da sua ação.


Paul Brunton
O Que É O Karma?

sábado, 19 de maio de 2018

Anulação do karma

Seria o perdão uma impossível anulação da lei do karma? Não há nenhuma maneira de escapar de uma consequência kármica que conduz a outras consequências, criando uma série delas interminável e sem esperança? Acredito que uma resposta para a primeira pergunta tenha sido dada por Jesus, e para a segunda por Ésquilo. Mateus 12:31: "Portanto, vos digo: todo pecado e blasfémia serão perdoados aos homens", declarou Jesus. Quanto ao difícil problema apresentado pela segunda pergunta, considere a solução sugerida por Esquilo: "Somente no pensamento de Zeus, não importa quem Zeus possa ser." O karma precisa agir automaticamente, mas o Poder por trás do karma tudo sabe, controla todas as coisas, controla até o próprio karma; sabe e compreende quando o perdão deve ser concedido. Nenhuma mente humana é capaz de compreender esse Poder; por conseguinte, Esquilo acrescenta a frase: "Não importa quem Zeus possa ser." O perdão não destrói a lei do karma; ele a complementa. "Todos nós, mortais, necessitamos de perdão. Não vivemos como desejaríamos, mas sim como podemos", escreveu Menander quase quatrocentos anos antes da época de Jesus.


Paul Brunton
O Que É O Karma?



sexta-feira, 18 de maio de 2018

O Eterno...

Uma única luz se reflete em um milhão de fotos, cada uma diferente das demais. Uma única Mente-do-Mundo reflete-se em um milhão de pessoas, cada uma diferente de todas as outras. E assim como os objetos no universo passam a existir pelo poder do karma, o mesmo acontece com as pessoas. A nova criatura emerge na existência universal da mesma maneira que uma nova coisa, ou seja, trazendo para o presente toda a antiga bagagem kármica que, por sua vez, é o resultado de uma existência ainda anterior. O indivíduo e o mundo surgem juntos no mesmo momento vindos de um passado que os acompanha. Seus karmas estão associados aos da existência universal e não aparecem de forma separada ou subsequente. Ambos entram em atividade sincronicamente. Quando a energia da Mente-do-Mundo se manifesta, ela adquire um caráter duplo e tanto o universo quanto as pessoas nascem ao mesmo tempo. O universo não se manifesta antes, nem os indivíduos, mas ambos conjuntamente. Colocando as coisas de outra maneira, quando as ondulações do karma se propagam pela Mente-do-Mundo, elas se deslocam ao mesmo tempo pelo universo e pelo indivíduo e atuam da mesma maneira.


Paul Brunton
O Que É O Karma?


quinta-feira, 17 de maio de 2018

Manifestação do Universo

É por meio de processos kármicos que agem mutuamente que esse universo pôde manifestar-se. A Mente-do-Mundo não produz imagens gerais do mundo por um decreto arbitrário, e sim pela continuidade natural dessas imagens como resultado de todas as que existiram anteriormente. Elas são a continuação de todas as imagens do mundo de que se tem lembrança que apareceram anteriormente, porém modificadas e desenvolvidas por meio de sua própria mútua interação e evolução, e não pelo decreto caprichoso de um Deus humanizado. A Mente-do-Mundo cria o universo pensando nele de forma construtiva, mas não arbitrária. Os pensamentos surgem espontaneamente regidos por uma estreita lei kármica e evolutiva. Deve-se enfatizar que de acordo com essa perspectiva o universo constitui um sistema autopropulsor, embora seja preciso igualmente compreender que o sistema em si depende da Mente-do-Mundo para a continuidade de sua existência e ininterrupta atividade. Todas as forças kármicas e formas-pensamento levam avante suas mútuas atividades, entrelaçam-se, interagem e evoluem espontaneamente na presença da luz do Sol. Mas é a essa presença que elas devem seu sustento e sua existência.


Paul Brunton
O Que É O Karma?


quarta-feira, 16 de maio de 2018

Quando o ensinamento de que você inevitavelmente receberá o resultado de suas ações for aceito por satisfazer a necessidade racional de entendimento e a necessidade emocional de justiça; quando essa ideia calar mais profundamente no coração e proporcionar uma clareza intelectual; quando a veracidade desse ensinamento for reconhecida e sua justiça trouxer alento; quando ela começar a se tornar dinâmica na sua visão de mundo, ela inevitavelmente passará a influenciar sua vida exterior, e não mais deixará de fazê-lo. Quando isso aparentemente não acontece, é sempre porque a aceitação é apenas superficial e verbal, ou porque o egoísmo inato e a paixão sem controle dominam o subconsciente. No primeiro caso, a doutrina é conhecida apenas por meio de uma tradição decadente ou pela repetição de chavões, o que com frequência ocorre no Oriente. Pela sua aceitação convencional, ela jamais se transformou em uma convicção profunda e, consequentemente, perdeu muito de sua força ético-disciplinar. No segundo caso, os complexos estão em ação sem que a pessoa perceba, impedindo-a de dar o devido valor à doutrina. Diante disso, é evidente que, em última análise, tenhamos a tendência a fazer o que pensamos e sentimos.


Paul Brunton
O Que é o Karma?


terça-feira, 15 de maio de 2018

O Que é o Karma?







Erga os olhos do chão para o sol de uma esperança justificada. Sabemos pela autoridade de Jesus que há misericórdia ou perdão para os piores pecadores se eles se propuserem a obtê-lo do modo correto. E, como você não está de forma alguma perto dessa categoria, com certeza há esperança e ajuda para você também.


Paul Brunton
O Que é o Karma?